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Correio da Manhã

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Cientista de 104 anos viaja para morrer

David Goodall vai submeter-se à eutanásia numa clínica suíça.
Rita F. Batista 4 de Maio de 2018 às 08:32
David Goodall, de 104 anos, despediu-se dos netos no aeroporto
David Goodall
David Goodall, de 104 anos, despediu-se dos netos no aeroporto
David Goodall
David Goodall, de 104 anos, despediu-se dos netos no aeroporto
David Goodall
O cientista australiano David Goodall, de 104 anos, decidiu viajar para a Suíça para se submeter à eutanásia. O idoso não sofre de nenhuma doença terminal mas está, simplesmente, cansado de viver. O caso reabriu o debate sobre a eutanásia na Austrália, país que só permite o suicídio assistido em caso de doença terminal.

A perda de independência motivou a decisão do cientista em viajar esta quarta-feira para Basileia, na Suíça, onde a eutanásia é legal, para acabar com a vida: "Não estou feliz. Quero morrer. Isso não é triste. O que é triste é que me impeçam", disse Goodall numa entrevista que deu no mês passado, quando completou 104 anos de idade.

O cientista começou a sentir-se insatisfeito quando foi forçado a reduzir as suas funções como investigador na Universidade de Perth, em 2016. Para além disso, deixou de ter capacidade para conduzir ou andar sozinho nos transportes e de continuar a frequentar as aulas de teatro.

Ainda assim, a decisão de terminar com a vida foi tomada no mês passado, após uma queda em casa que levou a que os médicos o aconselhassem a passar a ser acompanhado a tempo inteiro por uma equipa de enfermeiros ou então que se mudasse para um lar.

A ideia de perder a independência e a capacidade de cuidar de si sozinho não agradou ao cientista, que pretende "morrer com dignidade".
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