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Cyntoia Brown, a escrava sexual que matou o agressor, vai ser libertada

Jovem foi condenada a uma pena de prisão perpétua quando tinha 16 anos. Agora, foi-lhe concedida clemência judicial.

08 de janeiro de 2019 às 09:37

Depois de em 2006 ter sido condenada a uma pena de prisão perpétua por ter assassinado Johnny Allen, o homem que a violou e a comprou para ser sua escrava sexual quando esta era ainda menor de idade, Cyntoia Brown recebeu agora uma nova oportunidade.

O governador do Tennessee, nos EUA, Bill Haslam, concedeu clemência judicial à mulher, hoje com 30 anos, o que a permitirá sair da cadeia sob liberdade condicional no próximo dia 7 de agosto. Cyntoia irá ficar sob supervisão policial durante 10 anos e deverá ter um trabalho e participar em sessões de aconselhamento regulares.

Este caso que chocou o mundo criou uma onda de solidariedade global, fazendo com que até várias celebridades se insurgissem contra a prisão da jovem Cyntoia. Rihanna, Kim Kardashian e Cara Delenvigne foram algumas das que o fizeram. Foi criada inclusivamente uma hashtag de apoio à norte-americana: #FREECYNTOIABROWN (em português, "Libertem Cyntoia Brown").

Documentário trouxe caso à luz do dia

O caso remonta ao ano de 2004, e 13 anos depois, a história de Cyntoia voltou a estar na boca do mundo e dos meios de comunicação norte-americanos. "Me Facing Life", um documentário produzido pelo cineasta Dan Birman e exibido no canal televisivo Fox17 News, conta a verdadeira história da jovem que foi condenada a prisão perpétua pela morte de um homem que a maltratava e abusava constantemente.

O filme revela pormenores da curta vida de Cyntoia em liberdade, pormenores ignorados pela justiça e pela opinião pública quando a mesma foi condenada em tribunal, no estado norte-americano do Tennessee, nos EUA.

Cyntoia tinha 16 anos quando fugiu de casa. Conheceu um homem mais velho, de 24 anos, conhecido por 'Cut-throat', que lhe deu abrigo em troca de esta se tornar prostituta e sua escrava sexual. Durante a adolescência, a jovem viveu repetidamente situações de abuso sexual por parte de vários homens e chegou a ser ameaçada de morte pelo homem que a acolheu.

Foi nessa altura que Cyntoia foi apresentada a Johnny Allen, um vendedor de imóveis, de Nashville, que a "comprou" a 'Cut-throat' para fins sexuais. No documentário, a jovem revela que começou a ter medo do homem devido às atitudes possessivas deste e da grande quantidade de armas militares que possuia em casa e que fazia questão de exibir. Para além disso, o homem violava-a constantemente e obrigava-a a fazer sexo contra a sua vontade.

Uma noite, farta de ser abusada e maltratada, Cyntoia não aguentou e utilizou uma das armas de Johnny Allen para disparar sobre a cabeça deste, matando-o. Em tribunal, a jovem confessou o crime de imediato, admitindo a culpa e alegando o ambiente abusivo em que vivia e de que era vítima desde tenra idade. A adolescente revelou que foi muitas vezes ameaçada pelo homem, que para além de a violar, a maltratava fisicamente.

Ainda assim, o juíz não se mostrou misericordioso com a situação, e condenou a jovem de 16 anos a uma pena de prisão perpétua. Cyntoia tem 30 anos e viveu 14 anos na prisão. Licenciou-se num programa especial para presidiárias e sonha com uma vida normal longe das grades da cadeia. Agora, vai ser capaz de realizar o seu sonho. Apenas sete meses separam Cyntoia do sabor fresco e doce da sensação de liberdade.

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