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Correio da Manhã

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Clima de medo marca eleições

Cerca de 17 milhões de afegãos são hoje chamados a escolher o novo presidente do país e os representantes das 34 províncias naquelas que são as segundas eleições presidenciais e provinciais desde a deposição dos taliban, em 2001.

20 de Agosto de 2009 às 00:30
Hamid Karzai e Abdullah Abdullah são os grandes candidatos à vitória. Apesar da actualização dos registos eleitorais, a fraude ameaça o escrutínio
Hamid Karzai e Abdullah Abdullah são os grandes candidatos à vitória. Apesar da actualização dos registos eleitorais, a fraude ameaça o escrutínio FOTO: Akhtar Gulfam/EPA

Mais de 250 mil observadores, 400 dos quais estrangeiros, vão tentar assegurar a credibilidade do processo, e 300 mil polícias e militares tentarão evitar atentados e tentativas de boicote por parte da guerrilha.

Apesar dos cuidados das autoridades, as ameaças aos eleitores e a onda de terror desencadeada pelos rebeldes taliban, que, em cinco dias, realizaram três grandes atentados em Cabul, fazem temer uma reduzida taxa de participação. O facto de as tropas da NATO estarem impedidas de fazer patrulhas nas cidades durante a jornada eleitoral aumenta as incógnitas quanto à segurança dos eleitores.

Os taliban anunciaram mesmo, na internet, que serão eles a decidir, com bloqueios de estradas, quem vai votar. Afirmam ainda ter infiltrado 20 suicidas na capital para boicotar a jornada eleitoral.

Paralelamente, os jornalistas afegãos consideraram uma tentativa de censura o apelo do governo solicitando um blackout noticioso à violência durante a jornada eleitoral. Ontem, vários jornalistas foram agredidos quando tentavam noticiar uma tentativa de assalto a um banco de Cabul, da qual terá resultado a morte de três assaltantes, alegadamente taliban.

Refira-se que 31 candidatos, entre eles duas mulheres, concorrem às presidenciais, mas apenas um, Abdullah Abdullah, tem hipóteses reais de fazer sombra ao actual presidente, Hamid Karzai, grande favorito à vitória mas talvez só numa segunda volta.

OBSERVADORA LUSA ESTÁ CONFIANTE

A observadora portuguesa da UE Eliane (não revela o apelido por razões de segurança) afirmou ontem ao CM que ninguém duvida do impacto da violência na votação. Apesar da ameaça de ataques da guerrilha taliban, assegura não ter medo – "os meus pais sim, mas eu sou nova e solteira, por isso..." – e vai observar a votação em três províncias do Norte. As autoridades, adiantou, "têm cumprido os procedimentos", mas reconhece que muito fica fora de controlo dos observadores. Ainda assim, esclarece que há formas de detectar falsos eleitores, mesmo no caso de impostores cobertos pela burca.

PORMENORES

NOVOS ATENTADOS

Dez afegãos, entre eles um governador de distrito, um chefe tribal e três polícias, foram ontem mortos em atentados no Sul e Leste do Afeganistão.

BRITNEY SPEARS VOTA?

Os casos de fraude no registo de eleitores sucedem-se. Ontem alguém inscreveu Britney Spears para votar. Para os observadores da ONU e UE a questão não é saber se haverá fraude, mas se a sua dimensão será suficiente para invalidar o processo.

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