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Correio da Manhã

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Clima de revolta regressa ao Cairo

A onda de revolta suscitada pela morte de 74 pessoas após um jogo de futebol em Port Said reactivou as paixões revolucionárias e originou ontem manifestações em várias cidades egípcias pelo segundo dia consecutivo. Em protestos no Cairo e no Suez, foi incendiado um edifício do governo e pelo menos quatro pessoas morreram e 400 ficaram feridas.
4 de Fevereiro de 2012 às 01:00
Polícia reprimiu protestos com disparos de munições reais que fizeram centenas de feridos
Polícia reprimiu protestos com disparos de munições reais que fizeram centenas de feridos FOTO: Mohamed Abd El Ghany/Reuters

Cerca de dez mil pessoas marcharam rumo ao Ministério do Interior, onde atiraram pedras aos polícias. A polícia respondeu com gás lacrimogéneo e bastonadas. Os confrontos causaram a morte a pelo menos um polícia e um manifestante e um prédio de serviços fiscais próximo do ministério foi incendiado.

No Suez, morreram pelo menos outros dois manifestantes, alvejados pela polícia, que terá usado munições reais.

Os manifestantes consideram o Ministério do Interior um dos redutos dos apoiantes de Hosni Mubarak, deposto na revolução de Fevereiro de 2011, e culpam esses lealistas pela passividade da polícia no estádio do Al Masry, que terá precipitado o massacre de quarta-feira.

O primeiro Parlamento eleito democraticamente em mais de 30 anos associou-se à revolta. O Partido da Liberdade e da Justiça (PLJ), braço político da Irmandade Muçulmana, exigiu "uma limpeza a fundo do Interior", e o partido laico Egípcios Livres foi ainda mais contundente ao exigir a queda da Junta Militar. Entretanto, o Al Ahly, clube treinado por Manuel José, cujos adeptos e jogadores foram alvo da violência em Port Said, revelou ontem que o português vai continuar na equipa, apesar dos incidentes e da interrupção do campeonato.

Egipto revolta
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