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Correio da Manhã

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Cólera e malária matam centenas de angolanos

Em Angola, as chuvas fortes que reapareceram, o lixo imundo espalhado por todos os lados, a contínua falta de acesso à água potável e a ausência de saneamento básico têm contribuído para o aumento da cólera e da malária (conhecidas como doenças dos pobres). Doenças que estão novamente a tomar proporções alarmantes no país. Desde que a cólera eclodiu, em Fevereiro deste ano, foram registados cerca de 60 mil casos, com cerca de 2500 óbitos. A malária causou mais de 12 mil mortos em 2005.
26 de Novembro de 2006 às 00:00
As autoridades tentam travar o avanço de doenças como a cólera com campanhas apelando à limpeza das ruas, nomeadamente em Luanda
As autoridades tentam travar o avanço de doenças como a cólera com campanhas apelando à limpeza das ruas, nomeadamente em Luanda FOTO: d.r.
Entre as 18 províncias angolanas, apenas na Lunda-Sul e Moxico não foram registados casos de cólera. A doença afecta mais a capital do país, Luanda, seguindo-se Benguela, Malanje e, depois, Kuanza-Norte.
Para fazer face à situação, o Ministério da Educação e o Ministério da Saúde estão a desenvolver uma campanha de luta contra a cólera intitulada “Os alunos dizem não à cólera”, mas os resultados, até ao momento, têm sido insignificantes.
Também a malária, que continua a ser a principal causa de morte em Angola, não tem poupado os angolanos: só no ano passado, 12 702 pessoas morreram devido à endémica doença. Segundo dados do Ministério da Saúde, em 2005, foram registados mais de 2,2 milhões de casos de malária, com especial incidência nas crianças: foram registados 910 mil casos, dos quais cerca de 4500 acabaram por morrer.
A doença representa, por outro lado, 35 por cento da procura de cuidados de saúde, sendo que 20 por cento dos internamentos hospitalares são por causa da malária.
Segundo a OMS, tanto a cólera como a malária são doenças que afectam gravemente os angolanos por causa da pobreza em que a maior parte do povo vive. A falta de água potável e de saneamento básico, o lixo contribuem fortemente para agravar a situação, particularmente agora com a chegada das chuvas. A maior parte do povo consome água dos rios, das cacimbas e de poços que não é tratada.
SOLTAS
GOVERNO PREOCUPADO
O ministro da Saúde de Angola, Sebastião Veloso, disse recentemente em Luanda que “a cólera nunca terminou totalmente no país”. O ministro afirmou estar “preocupado” com a intensificação das chuvas, mas as autoridades estão prontas para tomar medidas.
RESISTÊNCIA
Relativamente à malária, a taxa de resistência ao tratamento com cloroquina atinge 60% quando a OMS recomenda a mudança de tratamento no caso da resistência ser de 25%
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