Um Boeing 737 com 155 pessoas a bordo, entre elas um português, desapareceu dos radares na tarde de sexta-feira (noite em Lisboa) antes de se despenhar numa zona florestal do estado de Mato Grosso. O número de vítimas do acidente faz dele a maior tragédia aérea do Brasil. As autoridades consideram prematuro falar de colisão em voo, mas a verdade é que um Legacy 600, com sete pessoas a bordo, seguia em rota similar e sofreu danos numa asa que forçaram o piloto a uma aterragem de emergência.
Uma mulher, não identificada, referiu a uma agência noticiosa que recebeu um telefonema de um familiar, passageiro do Boeing, minutos antes da tragédia. “Estava desesperado, gritava e, de repente, a chamada caiu”, afirmou, entre soluços.
O acidente aconteceu depois de o Boeing, que seguia de Manaus para Brasília, desaparecer dos radares às 17h00 (22h00 em Lisboa). Os destroços só foram localizados ontem, quase 20 horas depois, numa zona remota do Parque Natural de Xingú, 200 km a sudeste do município de Peixoto de Azevedo.
Enquanto os familiares dos passageiros se desmultiplicavam em contactos com a companhia aérea de baixo custo Gol, proprietária do Boeing, era referida a possibilidade de haver cinco sobreviventes. No entanto, quando as equipas de salvamento detectaram fogo na área da queda, as esperanças esmoreceram. A inexistência de sobreviventes foi confirmada horas depois de o brigadeiro José Carlos Pereira, presidente da Infraero, autoridade aeroportuária do Brasil, ter afirmado: “A experiência mostra que quando os destroços estão concentrados [como é o caso] o avião embateu no solo em posição vertical”. Nessas condições, explicou, são quase nulas as possibilidades de sobrevivência.
As causas da tragédia estão ainda por apurar mas a probabilidade de colisão foi reforçada pelas declarações do piloto do pequeno jacto. Segundo a sua versão dos acontecimentos, seguia na sua rota quando de súbito, sem aviso, uma sombra surgiu na sua frente seguida de um embate na fuselagem do aparelho.
Uma vez que os aviões seguiam em rotas com mais de dois mil pés de diferença entre si, fica por explicar como aconteceu o encontro dos dois aparelhos. As possibilidades de falha técnica ou erro humano estão a ser consideradas pela comissão de inquérito já estabelecida para investigar a tragédia.
EMPRESÁRIO DE MATOSINHOS ENTRE AS VÍTIMAS
O português António José Armindo, de 58 anos, um dos passageiros do Boeing 737-800, é um empresário de Matosinhos que preparava já o regresso a Portugal após uma viagem de negócios ao Brasil, afirmou ao Correio da Manhã o seu irmão mais velho, Dionísio, de 63 anos. António Armindo encontrava-se há 15 dias no Brasil a montar estações de electricidade em Manaus para a empresa EFACEC.
“O meu irmão Armindo viajava de Manaus para Brasília e depois seguia para São Salvador e daí para Portugal no dia 4. Foi ele próprio que me confirmou o regresso quando me telefonou anteontem para saber os resultados dos jogos de futebol”, afirmou Dionísio. António Armindo, um ex-comando, tem um filho no Brasil, Leandro, de 38 anos, e uma filha, Janete, de 18, que vive em Portugal. A Gol já se disponibilizou para pagar as passagens para que a filha e mulher do empresário viagem até ao Brasil.
LULA DECRETA LUTO NACIONAL
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, decretou ontem três dias de luto nacional pelas vítimas do Boeing 737-800, da companhia Gol, despenhado na selva amazónica, revelou um comunicado oficial em Brasília.
“Foi com enorme pesar que o presidente tomou conhecimento do acidente em que perderam a vida passageiros e tripulação do voo 1907 entre Manaus e Brasília”, salienta o texto, lido à Imprensa pelo porta-voz André Singer. “Nesta hora dolorosa e de perplexidade face à tragédia, o presidente expressa a sua profunda solidariedade a cada um dos familiares e amigos das vítimas”, disse.
No entanto, a Força Aérea Brasileira e a Agência Nacional da Aviação Civil não excluem a possibilidade de haver sobreviventes entre os destroços do avião.
TRAGÉDIA EM MATO GROSSO
Os destroços foram encontrados a 200 quilómetros da cidade Peixoto de Azevedo, na região norte do estado do Mato Grosso, junto da fronteira com o estado do Pará.
O Boeing 737-800, da companhia aérea GOL, saiu de Manaus, estado do Amazonas, às 14h36, hora brasileira, tendo como destino o Rio de Janeiro com escala em Brasília, colidiu com o Legacy e despenhou-se.
O Legacy 600 levantou voo no Rio de Janeiro, com destino os EUA, colidiu com o Boeing 737, o que lhe provocou danos na ponta da asa e na cauda, fez aterragem de emergência em Cachimbo (Pará).
BOEING 737-800
Número máximo de passageiros: 162
Comprimento: 42 metros
Largura: 35 metros
Motores: 2 Snecma
Velocidade máxima: 836 km/h
Autonomia: 3585 km
LEGACY 600
Número máximo de passageiros: 16
Comprimento: 26,3 metros
Largura: 21,17 metros
Motores: 2 Rolls-Royce
Velocidade máxima: 834 km/h
Autonomia: 5230 km
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