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Correio da Manhã

Mundo
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Comando desmantelado

A Guarda Civil espanhola descobriu ontem dois esconderijos da ETA junto à fronteira com a França, apreendendo uma apreciável quantidade de explosivos e outro material para fabrico de bombas.
9 de Janeiro de 2008 às 00:00
As descobertas foram feitas na sequência da detenção de dois presumíveis etarras, no domingo, que segundo as autoridades permitiu desmantelar um comando cuja principal função era abastecer de armas e explosivos outras células terroristas.
O primeiro esconderijo foi localizado às primeiras horas de ontem, numa zona de pinhal junto a uma aldeia desabitada na região de Huesca. Tratava-se de três bidões de metal, enterrados no solo há mais de dois anos, e que continham pelos menos 125 quilos de explosivos e outros materiais usados no fabrico de bombas, incluindo detonadores e temporizadores. Este esconderijo foi descoberto graças a um croqui encontrado no bolso de um dos dois etarras detidos domingo em Arrasate-Mondragón, na região basca de Guipúzcoa.
Segundo um porta-voz do Ministério do Interior, este esconderijo continha 107 quilos de nitrato, 18,9 quilos de pó de alumínio e 83 gramas de pentrita, um explosivo mais potente que a Goma Eco-2 ou a dinamite. Foram ainda encontrados cinco temporizadores, 12 detonadores e nove rolos de cordão detonador. O material estava enterrado há cerca de dois anos.
Ontem à tarde, foi anunciada a descoberta de um segundo esconderijo da ETA em Lesaka (Navarra), que conteria cerca de 80 quilos de explosivos. Segundo fontes policiais, a descoberta deste segundo esconderijo estará igualmente ligada à detenção dos dois etarras no domingo, embora não sejam conhecidos mais pormenores.
A Guarda Civil acredita que os dois detidos, Igor Portu Juanena e Martína Sarasola, faziam parte de um comando ‘abastecedor’ da ETA, encarregado de distribuir armas e explosivos às células operacionais. Na altura em que foram detidos, os suspeitos transportavam duas pistolas ainda embrulhadas em celofane. Outros dois membros do comando estão a ser procurados pela polícia.
POLÉMICA COM VIOLÊNCIA POLICIAL
As lesões sofridas por um dos etarras durante a detenção, no domingo, estão a causar polémica em Espanha, com o governo basco e os partidos nacionalistas a exigirem explicações do governo. Igor Portu, de 29 anos, foi internado segunda-feira num hospital de San Sebastián com múltiplas contusões, fractura da nona costela esquerda, contusão pulmonar e pneumotórax. Segundo os médicos, o suspeito queixou-se de ter sido agredido a murro e pontapé no rosto, tórax, abdómen e pernas pelos polícias no momento da detenção. A Guarda Civil confirma que “foi necessário usar a força” para subjugar o suspeito na altura da detenção, mas nega ter infringido a Lei, adiantando que Portu nunca se queixou de maus tratos e esteve, inclusive, presente nas buscas ao seu apartamento horas após a detenção. O governo basco e vários partidos nacionalistas pediram já uma investigação formal às alegadas agressões, enquanto os familiares do detido apresentaram queixa por alegada tortura.
LONDRES EXTRADITA TERRORISTAS
Três alegados terroristas da ETA detidos em Abril do ano passado em Sheffield, Inglaterra, foram ontem extraditados para Espanha, depois de um juiz ter rejeitado os recursos apresentados pelos seus advogados. Inigo Albisu Hernandez, de 24 anos, Zigor Ruiz Jaso, de 29 e Ana Isabel Monge, de 36, são acusados pelas autoridades espanholas de envolvimento no atentado contra um edifício da Marinha espanhola na localidade basca de Motrico, em 2006. O ataque, que foi reivindicado pela ETA, não provocou vítimas, mas causou importantes danos materiais. Os advogados dos suspeitos tentaram travar a extradição, alegando que os seus clientes poderiam ser sujeitos a “tratamento desumano e degradante” em Espanha, mas os recursos foram rejeitados pela Justiça britânica.
SAIBA MAIS
- 4 a 6 é o número estimado de comandos operacionais da ETA activos em território espanhol. Nos últimos anos foram feitas quase duas centenas de detenções.
- 9 meses durou, na prática, o último cessar-fogo decretado pela ETA, que foi quebrado a 30 de Dezembro de 2006 com o atentado de Barajas, que causou a morte a duas pessoas.
'SANGRIA'
As recentes detenções de dezenas de terroristas da ETA provocaram uma autêntica ‘sangria’ no grupo terrorista, que se viu forçado a recorrer a militantes jovens e pouco experiente para continuar a actuar.
COMANDOS
A ETA está organizada em comandos, ou células. Alguns têm a seu cargo as tarefas operacionais, enquanto outros se encarregam da logística.
SANTUÁRIO
Os comandos da ETA refugiam-se normalmente no País Basco francês.
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