Relatório indica alegadas violações cometidas pelas forças iraquianas e pela coligação internacional liderada pelos Estados Unidos.
A cidade de Mossul foi este terça-feira cenário de combates esporádicos, depois de o primeiro-ministro do Iraque ter declarado "vitória total" sobre os extremistas do Estado Islâmico que ocupavam a cidade no norte do país.
De acordo com a Associated Press, além de disparos de morteiros, por parte do Estado Islâmico, na zona ocidental da cidade velha foi também efetuado um 'raid' aéreo sobre a zona.
As últimas informações indicam que ainda existem bolsas de resistência dos extremistas islâmicos, pouco depois de as autoridades iraquianas terem anunciado o controlo total de Mossul, a segunda maior cidade do Iraque ocupada pelo Estado Islâmico durante os últimos três anos.
A Amnistia Internacional difundiu um relatório sobre Mossul referindo que os confrontos criaram uma "catástrofe" para os civis: os extremistas estão a forçar a deslocação de pessoas; verificaram-se fuzilamentos e os habitantes da cidade estão a ser utilizados como escudos humanos.
O relatório também indica alegadas violações cometidas pelas forças iraquianas e pela coligação internacional liderada pelos Estados Unidos.
"A escala e a gravidade relacionada com as vítimas civis durante a operação militar para reconquistar Mossul tem de ser do conhecimento público - e ao mais alto nível - pelos governos do Iraque e dos Estados da coligação que integra os Estados Unidos", disse Lynn Maalouf, da direção da Amnistia Internacional para o Médio Oriente.
O relatório refere-se aos primeiros cinco meses do ano e nota que as forças do Estado Islâmico forçaram a deslocação de civis na cidade, impedindo a população de abandonar Mossul.
A circunstância criou zonas de combate habitadas pela população civil sendo que as "forças iraquianas e a coligação chefiada pelos Estados Unidos falharam ao não conseguirem adotar as táticas militares à situação no terreno".
Estima-se que "milhares de civis" morreram durante os combates, segundo as autoridades provinciais de Nineveh que não inclui as vítimas de desabamento de edifícios.
Por outro lado, as Forças Armadas do Iraque não divulgaram o número de militares mortos durante as operações.
Segundo as Nações Unidas, a maior parte dos 897 mil deslocados civis de Mossul não vão regressar à cidade devido ao elevado nível de destruição provocada pela guerra.
"Não se enganem. Esta vitória, por si só, não eliminou o Estado Islâmico e ainda há duros combates pela frente", disse, segunda-feira, o tenente-general Stephen Townsend, comandante das forças norte-americanas no Iraque, logo após as declarações do primeiro-ministro iraquiano.
Entretanto, o alto-comissário das Nações Unidas para os Direitos do Homem, Zeid Ra'ad Al Hussein, apelou hoje à "justiça" e à reconciliação".
Através de um comunicado difundido em Genebra, Zeid afirma que o Iraque deve promover uma série de desafios relacionados com direitos humanos com o objetivo de proteger as populações civis.
O alto-comissário refere também que os atos praticados pelo Estado Islâmico durante os últimos três anos em Mossul devem ser julgados a nível internacional.
Em particular, Zeid, frisa a situação da comunidade yazidi acrescentando que 1.636 mulheres e crianças do sexo feminino, assim como 1.733 homens e rapazes continuam desaparecidos.
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