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Correio da Manhã

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Comércio entre União Europeia e Angola caiu para metade desde 2014

Saldo é desfavorável para os europeus em 787 milhões de euros.
Lusa 27 de Novembro de 2017 às 09:57
Luanda
 João Lourenço, Presidente de Angola
Luanda
 João Lourenço, Presidente de Angola
Luanda
 João Lourenço, Presidente de Angola
As trocas comerciais entre a União Europeia e Angola caíram mais de metade entre 2014 e 2016, com as exportações e as importações a diminuírem 50%, com um saldo desfavorável para os europeus de 787 milhões de euros.

De acordo com os dados do Eurostat disponibilizados à Lusa, as trocas comerciais entre os 28 países europeus que ainda constituem a UE e Angola desceram de 16,1 mil milhões de euros, em 2014, para 7,5 mil milhões no ano passado, registando-se quebras sensivelmente idênticas quer nas exportações, quer nas importações de Angola.

O saldo destas trocas continua desfavorável para os europeus, mas em menor valor devido à redução das trocas comerciais, tendo descido de 2,6 mil milhões, em 2014, para 3,1 milhões no ano seguinte e 787,9 milhões no ano passado.

Os dados de 2017, que contemplam apenas os meses de janeiro a agosto, mostram uma inversão da tendência, com a balança comercial a ser favorável à UE em 1,2 mil milhões de euros, essencialmente através de uma forte redução nas compras europeias a Angola, compostas na sua grande maioria por petróleo.

O abrandamento económico de Angola, que no ano passado deve ter registado uma recessaõ de 0,7%, e que as previsões dos analistas apontam para uma recuperação já este ano, mas também a forte queda do preço do petróleo desde meados de 2014, justificam a diminuição do valor das importações desta matéria-prima.

No último relatório do Banco Africano para o Desenvolvimento, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico e das Nações Unidas, 'Perspetivas Económicas Africanas, divulgado em maio, estas organizações chamavam a atenção para a necessidade de "atacar de forma mais significativa a dependência do petróleo, diversificar a economia e reduzir as vulnerabilidades",

O "abrandamento na economia não petrolífera num contexto em que os setores industrial, da construção e dos serviços ajustaram-se aos cortes no consumo privado e no investimento público" explica o resultado da evolução do crescimento do PIB no ano passado.

O Governo angolano, dizem os analistas, "tomou medidas para mitigar o impacto do choque petrolífero na economia", exemplificando com a racionalização da despesa pública, a eliminação dos subsídios aos combustíveis e a acomodação da desvalorização da moeda nacional.

No entanto, acrescentam, é preciso "medidas adicionais de política económica para estabilizar as condições macroeconómicas, melhorar a distribuição equitativa da riqueza e fornecer melhores serviços".

Para isto, as prioridades do Executivo angolano, agora liderado por João Lourenço, têm de passar pelo "aumento do investimento em capital humano, aceleração da diversificação económica e redução das vulnerabilidades económicas".

A quinta cimeira UE/África decorre entre 29 e 30 de novembro em Abidjan, a capital económica da Costa do Marfim, com o tema 'Investir na Juventude para um futuro sustentável', e deverá contar com cerca de 80 chefes de Estado e de Governo dos países europeus e africanos

A primeira cimeira UE-África, que se realizou no Cairo (Egito) em 2000, foi promovida por Portugal, durante a presidência portuguesa do Conselho da União Europeia.

Em 2007, novamente sob a égide da presidência portuguesa, Lisboa acolheu a segunda edição destas cimeiras.
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