Andrius Kubilius esteve presente num debate na 'The Lisbon Conference', organizada pelo canal NOW com a curadoria do antigo primeiro-ministro José Manuel Durão Barroso.
O comissário europeu para a Defesa e o Espaço considerou esta segunda-feira em Lisboa que os países europeus devem unir-se para aumentar a capacidade de defesa do bloco, num esforço em que é necessária liderança.
"Enquanto europeus, como União Europeia, estamos a enfrentar um grande desafio, que podemos chamar crise de defesa ou crise de segurança", afirmou esta segunda-feira Andrius Kubilius, durante um debate na 'The Lisbon Conference', organizada pelo canal NOW com a curadoria do antigo primeiro-ministro português e presidente da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.
O responsável da Comissão Europeia identificou entre os desafios "a agressão russa contra a Ucrânia" e a intenção dos Estados Unido de diminuírem a presença no continente europeu no âmbito da NATO.
"Temos 27 políticas de defesa, 27 orçamentos de defesa, 27 vetos, 27 exércitos nacionais. E estamos a dizer que vamos ser muito fortes", afirmou, contrapondo: "Mantermo-nos com 27 de tudo na defesa talvez não seja a melhor forma de nos tornarmos muito mais fortes, especialmente quando olhamos para uma perspetiva a longo prazo".
"As nossas indústrias de defesa estão muito fragmentadas, não existe um mercado integrado (...) e, por causa disso, ainda não conseguimos aumentar a produção ao nível que queremos. A Rússia continua a produzir bastante mais do que nós e isso representa uma grande ameaça à nossa segurança", alertou.
Recordando que a Defesa é uma prerrogativa de cada Estado-membro, o comissário europeu questionou de que forma os países podem "unir-se mais" e "não só construir as capacidades de defesa, de baixo para cima, mas também com algum tipo de abordagem de cima para baixo", defendendo a necessidade de "coordenação e liderança de cima para baixo".
Sobre os Estados Unidos, sublinhou: "Nós, 450 milhões de europeus, não devemos gritar para sempre para que 300 milhões de americanos nos defendam contra 140 milhões de russos que não conseguem derrotar 40 milhões de ucranianos".
"Claro que 450 milhões podem ser uma potência muito forte se forem unidos. Se formos individualmente, então certamente teremos problemas", sustentou.
"Temos de começar a falar sobre a possibilidade de uma União Europeia de Defesa, que seria uma plataforma para que aqueles países que querem estar mais unidos na Defesa se unissem", referiu.
Salientou que o exército ucraniano é "o mais forte da Europa" e "seria um grande erro não analisar como integrar essas capacidades", além de sugerir que a UE deveria perguntar a países como o Reino Unido ou a Noruega se se querem juntar.
No mesmo sentido, a antiga primeira-ministra britânica Theresa May (2016-2019) defendeu a necessidade de o Reino Unido "trabalhar de forma próxima com os aliados europeus, em primeiro lugar dentro da NATO".
"Sim, vamos acelerar e criar uma defesa mais forte na Europa", referiu a antiga governante conservadora.
Sobre o Reino Unido, cujo ministro da Defesa se demitiu na semana passada com críticas à falta de investimento no setor por parte do Governo do trabalhista Keir Starmer, May disse acreditar que o país vai aumentar a despesa e que "pode e vai continuar a ter um papel crítico, nomeadamente na defesa da Ucrânia, que tem um papel simbólico para o Ocidente e no sinal que envia" ao Presidente russo, Vladimir Putin.
Theresa May advertiu contra "isolar a Europa dos EUA, mesmo que por vezes a relação seja atribulada".
O antigo primeiro-ministro espanhol José María Aznar (entre 1996 e 2004) considerou que a União Europeia e a NATO "são mais precisas que nunca", quando "o principal aliado" -- EUA -- tem "uma política totalmente disruptiva".
Aznar lamentou que "a liderança da União Europeia" não esteja a fazer "uma reflexão séria" sobre o atual momento.
Numa altura em que "muitas democracias liberais estão sob ameaça de inimigos externos, como autocracias, e de inimigos internos, como o populismo", "defender a liberdade será a maior esperança".
O antigo chefe do Governo eslovaco Mikulás Dzrinda (1998-2006) considerou que os Estados Unidos "estão a forçar" a 'europeização' da NATO e salientou que "62% dos europeus dizem que a segurança e a defesa são importantes".
"Precisamos de ação (...) Porque é que os líderes não o estão a fazer?", perguntou, instando toda a comunidade a "ajudar os líderes".
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