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Correio da Manhã

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COMPROMISSO BLOQUEADO

A intransigência da França, Alemanha e Bélgica bloqueou ontem uma solução de compromisso apresentada pelo secretário-geral da NATO, George Robertson, para tentar desbloquear o impasse gerado pelo veto francês, alemão e belga ao pedido de protecção da Turquia contra uma eventual retaliação iraquiana. Esta tarde, os 19 embaixadores da Aliança Atlântica deveriam ter reunido, pela sexta vez em quatro dias, para tentarem desbloquear o impasse, mas o encontro foi cancelado.
13 de Fevereiro de 2003 às 17:01
George Robertson tentou quebrar o impasse com uma proposta de compromisso
George Robertson tentou quebrar o impasse com uma proposta de compromisso
Quarta-feira, a intransigência da França, Alemanha e Bélgica foi, aparentemente, ‘indiferente’ aos últimos desenvolvimentos da crise iraquiana, nomeadamente a divulgação de uma alegada gravação de Osama bin Laden apelando à união islâmica em prol da defesa do Iraque, logo aproveitada por Washington para reforçar as suas ‘provas’ contra Bagdad.

Numa tentativa de evitar o prolongamento da crise em que a NATO se encontra mergulhada desde a passada segunda-feira, o secretário-geral da Aliança apresentou aos países-membros uma solução de compromisso, que deixa cair dois dos três pedidos feitos à organização pelos EUA – a substituição das forças americanas nos Balcãs por tropas europeias e a protecção das bases americanas na Europa – e se concentra apenas nos preparativos para a protecção da Turquia em caso de ataque iraquiano. Esta solução respondia, assim, à invocação do Artigo IV da NATO pelo governo de Ancara e possibilitaria o envio de baterias antimíssil Patriot, aviões de vigilância electrónica AWACS e equipas especializadas em guerra química, biológica e nuclear para proteger a Turquia.

Ontem, após cinco reuniões em três dias, França, Bélgica e Alemanha mantiveram, no entanto, a sua posição irredutível, argumentando que a aprovação das medidas de protecção da Turquia equivale a reconhecer que não existe uma solução diplomática para a crise iraquiana. “Não podemos, através da NATO, dar o nosso acordo de princípio a uma intervenção militar no Iraque e, desta forma, esvaziar as decisões do Conselho de Segurança da ONU”, afirmou um porta-voz dos Ministério francês dos Negócios Estrangeiros.

IMPASSE MANTÉM-SE

Segundo fontes diplomáticas, o mais provável é que os três países continuem a bloquear o consenso até à apresentação do segundo relatório dos inspectores internacionais no Conselho de Segurança da ONU, agendada para amanhã, dia igualmente escolhido por Paris e Berlim para apresentarem formalmente o seu plano alternativo à guerra, que prevê o reforço das inspecções.

As divisões aliadas deverão estender-se à União Europeia, que na segunda-feira realiza uma cimeira de emergência para tentar delinear uma posição comum sobre o Iraque. O primeiro-ministro grego, Costas Simitis, cujo país assume a presidência rotativa da UE, avisou que é imperioso que a Europa apresente uma posição unida, por forma a evitar uma crise , mas isso afigura-se difícil face às posições divergentes entre o “eixo” franco-alemão e o “grupo dos oito”.

A mais recente mensagem do líder da al-Qaeda, Osama bin Laden, divulgada terça-feira pela cadeia de televisão árabe Al-Jazeera, assumiu, entretanto, um papel de destaque em mais um desacordo entre os EUA e os seus aliados europeus, nomeadamente, a Alemanha, que ontem afirmou duvidar que a gravação constitua a “prova” de ligação entre a rede terrorista e o Iraque, como foi prontamente apontado pelo EUA. Bin Laden, recorde-se, apelou aos muçulmanos para ajudarem a defender o Iraque e expressou a sua solidariedade para com o povo iraquiano mas não para com o presidente Saddam Hussein, que considera “um infiel”.
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