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Correio da Manhã

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Comunicado da ETA assume atentados

A ETA assumiu ontem a responsabilidade pelos últimos atentados em Espanha, no seu primeiro comunicado desde a ruptura da trégua, a 6 de Junho. O grupo terrorista basco promete ainda continuar a atacar “em todas as frentes” e culpa o governo de José Rodríguez Zapatero pelo fracasso das negociações de paz.
10 de Setembro de 2007 às 00:00
A polícia basca envolveu-se em confrontos com manifestantes em San Sebastian
A polícia basca envolveu-se em confrontos com manifestantes em San Sebastian FOTO: Vincent West, Reuters
Num texto intitulado “As máscaras caíram”, a ETA reivindica a autoria do atentado do passado dia 24 contra um quartel em Durango, a explosão de La Rioja no passado domingo, a furgoneta que explodiu em Castellón, e ainda a colocação de pequenos explosivos ao longo do trajecto da etapa do Tour com passagem pela província de Navarra.
O comunicado acusa ainda o governo de “tentar desactivar o projecto independentista basco” e promete voltar a atacar, até serem criadas “condições democráticas que permitam defender todos os projectos políticos” no País Basco.
A falência do processo de paz é explicada pela intenção de Zapatero de obter a rendição dos separatistas. Para a ETA, o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), e o Partido Nacionalista Basco, PNV (que lidera o governo autónomo do País Basco), aliaram-se para desvirtuar as intenções do processo negocial. No caso do PNV, frisa o comunicado, esta “dinâmica” colocou o partido “à beira da ruptura”.
ATACAR APARELHO POLÍTICO
Zapatero mantém, entretanto, que a luta contra o terrorismo será “implacável” e que essa determinação será expressa pelo ataque, não apenas ao aparelho militar da ETA mas também à sua cúpula política, a mesma que esteve envolvida nas negociações fracassadas com o governo. Recorde-se que nos últimos meses, a seguir à ruptura da trégua, as autoridades prenderam 26 membros do aparelho militar etarra.
As organizações afins do grupo terrorista, como a ANV (Acção Nacionalista Basca) estão agora, igualmente, na mira das autoridades espanholas.
No entanto, o PNV não defende, para já, a ilegalização deste partido, primeira formação nacionalista a ser criada no País Basco, em 1930. Mas, se a ANV mantiver o silêncio sobre um novo atentado da ETA com vítimas mortais, o principal partido basco poderá defender a abertura, por parte do governo, do processo que coloque a ANV fora do âmbito da vida democrática, como aconteceu com o Batasuna, ilegalizado pelo governo do José María Aznar em 2002.
POLÍCIA BASCA DISPERSA MANIFESTAÇÃO
A polícia prendeu ontem cerca de uma dezena de manifestantes e dispersou, pela força, uma marcha proibida em San Sebastian. Promovido pela Askatasuna, considerada parte da ETA, o protesto visava exigir a autodeterminação do País Basco e a amnistia para os etarras detidos.
Cerca de dez minutos antes do início previsto da marcha, um forte cordão policial vedou a zona de acesso à área da manifestação. Mas um grupo conseguiu forçar a passagem e desenrolou um cartaz, envolvendo-se de seguida em confrontos com os polícias. Recorrendo a granadas de gás lacrimogéneo e bastões, os agentes controlaram os manifestantes, mas dos recontros resultaram vários feridos, entre eles cinco polícias. Entre os detidos contam-se Juan María Olano, porta-voz do Askatasuna.
SAIBA MAIS
2002 marca o início do processo de ilegalização do Batasuna, braço político da ETA. As actividades do partido foram suspensas e as suas instalações encerradas.
78% dos bascos acreditam numa resolução pacífica do problema do País Basco, segundo uma sondagem de Dezembro de 2006.
ORGANIZAÇÃO TERRORISTA
A ETA consta nas listas de grupos terroristas da ONU, da União Europeia e dos EUA.
COMANDOS MILITARES
A ETA está dividida em comandos aos quais cabe agir em determinadas áreas geográficas. A cúpula militar coordena as acções dos comandos.
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