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Correio da Manhã

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CONDIÇÕES PIORAM EM GUANTANAMO

O Comité Internacional da Cruz Vermelha (CICV) denunciou ontem uma “deterioração preocupante” na saúde mental dos alegados taliban e membros da al-Qaeda mantidos sob prisão pelos EUA na base de Guantanamo, em Cuba. Washington é acusado de negar aos prisioneiros quaisquer direitos legais.
11 de Outubro de 2003 às 00:00
Esta crítica invulgarmente dura foi proferida por Christophe Girod, alto dignitário da organização, durante uma visita a Guantanamo. “A indefinição da situação e o seu impacto na saúde mental dos presos tornou-se um problema grave”, afirmou, assinalando que a situação tem de mudar urgentemente.
Girod fez notar que estas afirmações estavam a ser divulgadas publicamente pelo CICV – única organização internacional com acesso ao presídio – porque Washington tem recusado mudar as condições de detenção ilegal dos alegados terroristas.
Os suspeitos, muitos dos quais foram capturados logo após os atentados de 11 de Setembro, estão encarcerados sem prazo definido, sem acesso a aconselhamento legal e desconhecendo de que são acusados ou quando serão julgados.
Recorde-se que os EUA prometeram tratar humanitariamente os detidos, apesar de não lhes concederem o estatuto de prisioneiros de guerra, reconhecido pela Convenção de Genebra.
A equipa da Cruz Vermelha liderada por Girod falou com os presos e a preocupação fundamental de todos eles é o que os espera, e por quanto tempo vão continuar presos.
Para o CICV, que não criticou as condições físicas da prisão, é a indefinição quanto ao futuro que explica que nos últimos 18 meses 21 dos cerca de 600 detidos tenham feito mais de 32 tentativas de suicídio, e muitos outros estejam a ser submetidos a tratamentos contra a depressão.
Assinale-se que as acusações do CICV surgem na mesma altura em que um grupo de juízes, diplomatas e oficiais americanos apelou ao Supremo Tribunal dos EUA para examinar a legalidade da situação dos presos.
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