Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo
1

CONFIRMADA A TESE DE ATAQUE TERRORISTA

Explosivos de um género usado pelos rebeldes tchetchenos foram encontrados entre os destroços de um dos dois Tupolev russos que se despenharam esta semana, matando 89 pessoas, o que aponta para a temida hipótese de ter-se tratado de atentados. Pouco antes, um grupo islâmico publicou num ‘site’ da internet uma declaração em árabe na qual diz ter sequestrado e despenhado os aviões. As autoridades escusaram-se a comentar a reivindicação.
28 de Agosto de 2004 às 00:00
Uma porta-voz do FSB, serviços secretos russos, afirmou que o tipo de explosivo detectado no Tupolev (TU) 154 é idêntico ao utilizado, por exemplo, nos atentados de 1999 visando apartamentos de Moscovo. O TU 154 caiu na terça-feira junto a Rostov minutos depois de um Tupolev 134 se despenhar junto a Tula.
A Imprensa russa especula sobre a presença de uma mulher suicida tchetchena entre os passageiros. Tudo porque ninguém reclamou o cadáver de uma jovem de 27 anos com apelido tchetcheno. Fonte da investigação declarou sob anonimato que a presença de pelo menos dois apelidos tchetchenos entre os passageiros “tinha de levantar suspeitas”. Acresce que eram de prever acções terroristas esta semana, pois amanhã realizam-se na Tchetchénia eleições presidenciais.
Mas a nível oficial a hipótese da suicida não foi comentada, assim como não mereceu comentário a reivindicação feita em nome de um grupo designado “Brigadas Islambouli”, que diz ter agido para vingar “o massacre de muçulmanos” levado a cabo pelo governo russo.
“Os nossos ‘mujahedines’ desferiram, com a ajuda de Deus, um primeiro golpe que será seguido de outras operações numa campanha para ajudar os irmãos muçulmanos na Tchetchénia e outros países muçulmanos”, lê-se num comunicado em que se afirma que cada avião foi sequestrado por cinco militantes.
Os separatistas moderados demarcam-se desta reivindicação e negam laços com as “Brigadas Islambouli”. O nome do grupo é uma homenagem a Khaled Islambouli, oficial do Exército egípcio que em 1981 matou o presidente Anwar Sadat. Islambouli pertencia à Jihad Islâmica egípcia, que nos 90 se fundiu com al-Qaeda sob o comando de Ayman al-Zawahri, braço direito de Osama bin Laden.
PRINCIPAIS ATENTADOS IMPUTADOS AOS REBELDES TCHETCHENOS
Junho de 1995 – Rebeldes tchetchenos fazem centenas de reféns num hospital russo. Mais de 100 pessoas morrem nos combates entre rebeldes e militares russos.
Setembro de 1999 – Bombas destroem edifícios de apartamentos em Moscovo, Buynaksk e Volgodonsk. Mais de 200 pessoas perdem a vida.
Julho de 2000 – Cinco ataques suicidas são lançados em 24 horas sobre bases de forças de segurança russas. No ataque mais sangrento, visando um dormitório da Polícia em Argun, morrem pelo menos 54 pessoas.
Outubro de 2002 – Num assalto a um teatro moscovita, os rebeldes fazem mais de 700 reféns. Durante um assalto para libertar os sequestrados morrem 129 reféns e todos os 41 guerrilheiros tchetchenos.
Agosto de 2003 – Um bombista suicida lança um camião com explosivos contra um hospital militar de Mozdok, na fronteira tchetchena com a Ossétia do Norte. A explosão mata mais de 50 pessoas.
Fevereiro de 2004 – Um atentado suicida numa estação de metro de Moscovo mata pelo menos 39 pessoas e fere mais de 100.
Maio de 2004 – O presidente tchetcheno pró-russo Ahmad Khadirov é assassinado pela explosão de uma bomba quando assistia às celebrações do Dia da Vitória num estádio de Grozny. Morreram mais de 30 outras pessoas.
Junho de 2004 – Um grupo de separatistas toma de assalto um edifício do Ministério do Interior na Ingúshia, junto da Tchetchénia, ao mesmo tempo que comandos armados atacam outros alvos em ataques relâmpago. Pelo menos 92 pessoas perdem a vida, entre elas o ministro do Interior do governo regional, Abukar Kostoyev.
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)