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Continua 'braço-de-ferro' entre Congresso e Trump para auxiliar financeiramente famílias afetadas pela pandemia

Câmara dos Representantes reuniu-se para deliberar sobre a intenção Donald Trump de aumentar para dois mil dólares o montante dos 'cheques' que serão entregues aos norte-americanos.
Lusa 28 de Dezembro de 2020 às 23:46
Donald Trump
Donald Trump FOTO: Getty Images
O 'braço-de-ferro' entre o Congresso dos Estados Unidos e a Casa Branca continua, depois da assinatura relutante do Presidente cessante de um pacote de dois biliões de dólares para auxiliar financeiramente as famílias mais afetadas pela pandemia.

A Câmara dos Representantes reuniu-se excecionalmente durante o período dos feriados de final do ano para deliberar sobre a intenção do republicano Donald Trump de aumentar para dois mil dólares (mais de 1.6000 euros) o montante dos 'cheques' que serão entregues aos norte-americanos.

Os democratas, que controlam a Câmara dos Representantes, são favoráveis a um auxílio para as famílias norte-americanas superior aos 600 dólares (cerca de 491 euros) estipulados no pacote de estímulo económico decorrente da pandemia.

Contudo, os republicanos, que são a força política dominante no Senado, opõem-se a este incremento e estão a ser pressionados por Trump para o aprovarem.

O Congresso dos Estados Unidos da América (EUA) é constituído por duas câmaras: a 'baixa', ou seja, a Câmara dos Representantes, e a 'alta', ou seja, o Senado.

Este 'braço-de-ferro' entre a administração cessante e o Congresso não deverá alterar o enormíssimo pacote financeiro, sem precedentes, aprovado para responder à crise decorrente da pandemia.

Contudo, enquanto a discussão se prolonga, milhões de norte-americanos ficam impedidos de receber esta ajuda, na altura em que o SARS-CoV-2 continua a assolar o país, que já ultrapassou os 19 milhões de infetados e os 333 mil óbitos.

Este revés de Trump surge depois de ambos os partidos terem acordado o valor e a distribuição deste pacote financeiro. As negociações decorreram ao longo de várias semanas e houve momentos em que a discórdia parecia arrastar a falta de acordo até 2021.

Trump parece ter alcançado pouco, se é que alguma coisa, com esta relutância em relação a um acordo bipartidário que foi negociado pela administração que lidera.

O diploma, referente a este pacote de estímulo económico, foi assinado no domingo pelo Presidente e está dividido em duas partes: 900 mil milhões de dólares (mais de 737 mil milhões de euros) em auxílio financeiro decorrente da pandemia e 1,4 biliões de dólares (1,1 biliões de euros) para financiar as agências governamentais.

Este pacote deverá providenciar ajuda a várias empresas e famílias e poderá evitar o 'shutdown' do Governo federal que afundaria ainda mais o país se ocorresse enquanto decorre a uma crise de saúde pública no país mais afetado pela covid-19.

Além dos 600 dólares (pouco mais de 490 euros) que serão diretamente entregues à maioria dos norte-americanos, a 'porção covid-19' deste diploma reaviva um auxílio extra de 300 dólares (cerca de 245 euros) semanais a desempregados, assim como o popular Programa de Proteção de Salários que permite a várias empresas manterem os funcionários e os salários que pagavam aos trabalhadores. Este programa também estende a proteção de pessoas que arrendaram casa e adiciona uma nova fundo para ajudar ao arrendamento.

Esta 'porção covid-19' também contempla milhares de milhões de dólares para a aquisição e distribuição de vacinas, o rastreamento de contactos com infetados, departamentos de saúde pública, escolas, universidades, agricultores, programas alimentares e outras instituições que estão a ser fortemente afetadas pela pandemia.

Norte-americanos cujos rendimentos sejam até 75.000 dólares (mais de 61.000 euros) estão qualificados para a receção dos 600 dólares 'em cheque'. Este valor será 'diluído' em cidadãos com maiores rendimentos e há um acrescento de 600 dólares por cada dependente.

A outra porção do pacote de estímulo económico garante o funcionamento e a cobertura das despesas das agências federais sem quaisquer alterações dramáticas até 30 de setembro de 2021.

O veto que Trump fez ao pacote, reclamando os 2.000 dólares 'em cheques', é talvez uma das últimas ações do Presidente cessante, enquanto mantém as acusações infundadas, nomeadamente através da rede social Twitter, de fraude eleitoral.

A presidente da Câmara dos Representantes, a democrata Nancy Pelosi, apelou a Donald Trump para pressionar os aliados do Senado a aprovarem o diploma.

"O Presidente tem de dizer imediatamente aos congressistas republicanos para acabarem com esta obstrução e se juntarem aos democratas em apoio nesta legislação que aumenta diretamente o pagamento em cheques para 2.000 dólares", disse Pelosi no Twitter.

Com a concordância dos democratas, o documento deverá ser aprovado sem quaisquer problemas na Câmara dos Representantes, mas vai enfrentar uma grande oposição da maioria republicana no Senado.

Contudo, enquanto este diferendo não estiver resolvido, milhões de norte-americanos ficam impedidos de receber a ajudar que desesperadamente precisam, depois de a pandemia ter feito 'disparar' o desemprego, por causa do confinamento generalizado no país e o encerramento de várias empresas, devido à quebra substancial de faturação decorrente de surtos detetados ou da queda da procura.

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