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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Contra o esquecimento

Nunca mais”. A promessa foi ontem repetida a uma só voz pelos mais de 40 líderes mundiais presentes em Auschwitz para assinalar o 60.º aniversário da libertação do maior campo de extermínio nazi. Outros, os sobreviventes, foram lá para rezar. E recordar.

28 de janeiro de 2005 às 00:00

“Nevava, como hoje. Estávamos vestidos com fatos de prisioneiro, às riscas, e muitos de nós tinham os pés descalços. Foram tempos horríveis”. É desta forma que Kaziemierz Orlwoski recorda o dia em que a sua vida começou de novo, o dia em que as tropas soviéticas libertaram Auschwitz. Kaziemierz foi um dos muitos sobreviventes que ontem fez questão de estar presente em Auschwitz, lado a lado com dezenas de líderes mundiais, porque quem por lá passou tem a missão de fazer com que o Mundo nunca esqueça. Simone Veil, ex-presidente do Parlamento Europeu, outra sobrevivente do campo, esteve lá para dizer que, por impossível que pareça, o mundo às vezes esquece o Holocausto. A Bósnia e o Ruanda são casos recentes.

Um apito de comboio, a relembrar de forma simbólica o momento que assinalava a chegada de novo carregamento de prisioneiros, foi o sinal para o arranque das cerimónias, antecedidas por uma sessão solene em Cracóvia. No final dos discursos, cada líder acendeu um vela em frente ao memorial às vítimas do fascismo. E renovou, em silêncio, os votos de “nunca mais”.

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