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Correio da Manhã

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Corão profanado

Uma investigação do Departamento de Defesa dos EUA confirmou a existência de pelo menos cinco incidentes de profanação do Corão por parte de soldados americanos na prisão de Guantanamo Bay. O relatório, divulgado sexta-feira, nega, no entanto, que os guardas tenham lançado o livro sagrado muçulmano à sanita, como tinha noticiado a revista ‘Newsweek’.
5 de Junho de 2005 às 00:00
Manifestantes na Tanzânia protestam contra as profanações do livro sagrado muçulmano
Manifestantes na Tanzânia protestam contra as profanações do livro sagrado muçulmano FOTO: Emmanuel Kwitema/Reuters
O documento dá como provados quatro casos de falta de respeito pelo Corão. Num dos casos o livro foi pontapeado, num outro foi pisado, e nos dois últimos foi salpicado com urina e com água, respectivamente. Num quinto caso, não foi possível determinar se a inscrição de palavras obscenas numa página do livro sagrado foi da autoria de um guarda ou de um preso.
O relatório da comissão de investigação liderada pelo general Jay Hood, comandante da prisão de Guantanamo, afirma ainda que o famoso incidente do Corão na sanita – que correu mundo após a notícia da ‘Newsweek’, causando tumultos que custaram a vida a 16 pessoas no Afeganistão – existiu de facto, mas o autor da profanação foi um preso e não um soldado americano.
Recorde-se que após os incidentes, a ‘Newsweek’ veio retractar-se e firmar que a notícia não tinha base factual sólida. Uma semana depois, no entanto, a revelação de documentos do FBI confirmou a existência de actos de profanação, alguns deles remontando a 2002.
“A manipulação abusiva do Corão é um facto raro em Guantanamo Bay”, afirmou Hood, salientando que tais casos nunca são perdoados.
As conclusões da investigação referem ainda 12 casos nos quais os próprios presos profanaram o Corão, em aparentes actos de protesto contra a sua detenção.
OS PRINCIPAIS INCIDENTES
BALÕES DE ÁGUA
A 15 de Agosto de 2003 guardas de turno lançaram balões cheios de água para um bloco de celas. O resultado foi que os presos, e os livros sagrados de pelo menos dois deles, ficaram molhados. Não houve intenção de profanar o Corão.
OBSCENIDADE
Um preso queixou-se a 23 de Agosto de 2003 que alguém tinha escrito palavras obscenas no seu exemplar do Corão. Os investigadores afirmam ter sido impossível determinar o autor da profanação, pois vários presos sabem escrever em inglês.
URINA
No passado mês de Março um preso afirmou que pingos de urina lançada através da ventilação molharam o seu livro sagrado. Um guarda admitiu ter urinado junto da ventilação. O resultado do acto parece ter sido, no entanto, involuntário.
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