As autoridades da Coreia do Norte garantem ter capacidade suficiente para lançar ataques contra objectivos norte-americanos em todo o Mundo, no caso de o regime de Pyongyang ser provocado pelos EUA. A ameaça, que não é inédita, foi lançada por um alto responsável do Ministério dos Negócios Estrangeiros norte-coreano, que alegou o direito de autodefesa de Pyongyang.
A Coreia do Norte solicitou ainda às Nações Unidas que investiguem os EUA, depois de a Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) ter declarado que o regime de Pyongyang está a violar o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNPN) e denunciado essa situação ao Conselho de Segurança da ONU.
Ontem, o director da Agência Central de Inteligência (CIA) norte-americana, George Tenet, afirmou também, perante o Comité das Forças Armadas do Senado, que a Coreia do Norte tem capacidade para atingir os EUA com um míssil dotado de uma ogiva nuclear. Washington acredita que Pyongyang possa ter armas nucleares.
Esta não foi a primeira vez que a Coreia do Norte ameaçou os EUA. No início de Fevereiro, Pyongyang ameaçou lançar um contra-ataque poderoso contra os EUA, no caso de Washington lançar um ataque surpresa contra as instalações nucleares norte-coreanas, assinalando que esse gesto poderia levar a uma guerra total.
Um dia antes, os EUA haviam colocado em estado de alerta duas dezenas de bombardeiros de longo alcance B-52 e B-1, além de aviões espiões U-2, e de vários vasos de guerra, para uma eventual deslocação para a região do Pacífico. Washington congelou ainda a saída de 2.900 militares que deviam abandonar a Coreia do Sul nos próximos meses, para reforçar a sua presença dissuasória na região face à crescente retórica belicista de Pyongyang.
Estas decisões foram tomadas depois de terem surgido informações, entretanto desmentidas por Pyongyangn, de que a Coreia do Norte reactivara as suas centrais nucleares. Mais tarde, um porta-voz do governo norte-coreano, em declarações à agência russa Itar-Tass, afirmou que os jornalistas ocidentais tinham interpretado mal o conteúdo de um comunicado, no qual se dava apenas conta dos preparativos para reactivar as centrais.
A crise foi despoletada quando a Coreia do Norte anunciou, no passado dia 10 de Janeiro, a decisão de retirar-se do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNPN) e da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA). Em comunicado, Pyongyang realçou que apesar de abandonar o TNPN e a AIEA, não tinha intenções de produzir armas nucleares, mas sim reactivar centrais nucleares para produção de energia necessária para fins pacíficos.
Na altura, Pyongyang fez ainda saber que podia voltar atrás nesta decisão caso os EUA reiniciarem os abastecimentos de combustível ao país suspensos em Dezembro. As autoridades norte-coreanas haviam ameaçado abandonar o TNPN no final do ano passado, pouco depois de terem admitido ter mantido em segredo um programa de desenvolvimento nuclear com fins militares desde 1994.
Em resposta a esta revelação, os EUA suspenderam os abastecimentos de petróleo àquele país previstos nos acordos internacionais, em troca do congelamento do seu programa nuclear. Face à decisão de Washington, Pyongyang anunciou a reactivação das suas centrais nucleares e expulsou os inspectores da AIEA que asseguravam o encerramento daquelas instalações, abrindo uma crise nuclear na região.
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