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Correio da Manhã

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Coronavírus causou pneumonia, encefalite, ataques epiléticos, alucinações e perda de 30 kg

Carlos, de 38 anos, esteve um mês nos cuidados intensivos devido à Covid-19. "Foi a maior vitória da minha vida", diz o sobrevivente.
Pedro Zagacho Gonçalves 1 de Agosto de 2020 às 16:38
Coronavírus
Coronavírus FOTO: EPA

Um homem espanhol de 38 anos viveu um verdadeiro pesadelo depois de ser infetado com o novo coronavírus. Carlos Pérez Collazo, engenheiro de minas sentiu no corpo toda a força devastadora do vírus, que lhe deixou o sistema imunitário destruído: a covid-19 causou-lhe pneumonia, encefalite, dois ataques epiléticos, alucinações, fez com que perdesse 30 kg e deixou-lhe a massa muscular a zeros.

Ao El País, o sobrevivente da Covid-19, contou a sua experiência e revela que a luta contra a doença inspirou-o a escrever, e Carlos pondera a hipótese de publicar um livro com as suas ‘memórias’ sobre o novo coronavírus. 

O homem foi contagiado ao descer no elevador do prédio onde mora em Moaña, Pontevedra e começou a apresentar sintomas a 17 de março, logo depois do Estado de Alerta ser decretado em Espanha. Conta que, ao ligar para a linha de emergência, não lhe "fizeram muito caso" mas três dias depois estava com febres muito altas.

Foi para as urgência pelo seu próprio pé e foi imediatamente admitido nos cuidados intensivos (tinha a saturação de oxigénio a 80%, abaixo dos normais 95% a 100%), onde esteve um mês do total de 48 dias em que esteve internado. "Eu sabia que estava mal, mas não tão mal. Tenho amigos que tiveram pneumonia, ficaram com a saturação a 88% e dizem que já é um inferno", conta.

O inferno de Carlos começou ali. Com uma pneumonia grave, foi posto em coma induzido e os médicos disseram ao pai do espanhol que, como ele estava "90% não sobrevive". Miraculosamente recuperou, passou para o piso de internamento mas, uma vez ali, viu o primeiro revés: o coronavírus tinha provocado uma encefalite, que se traduziu em dois violentos ataques epiléticos.

Voltou aos cuidados intensivos, em coma induzido, estado no qual permaneceu mais duas semanas. Quando acordou, recorda a impotência de ter o telefone a tocar e não poder atender ou responder às mensagens que lhe chegavam de amigos e família. Tinha a massa muscular a zeros e não tinha forças para se mexer.

Para além disso começou a ter alucinações, chegando mesmo a surpreender os médicos que o encontraram "a falar pelos cotovelos em inglês com a rainha de Inglaterra". "Via-a mesmo à minha frente, duas camas ao lado", recorda o espanhol.

O pesadelo terminou a 28 de abril, com o primeiro teste negativo, e o reencontro com a família. "O que passei foi a maior vitória da minha vida, mais do que a carreira, dois mestrados e um doutoramento. A minha neurologista dizia que se devia viver todos os dias ao máximo e aproveitar cada momento com as pessoas de quem gostamos. E é essa a maior lição que tiro de tudo isto", termina Carlos.

 

 

 

 

 

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