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"As alterações climáticas terão efeitos muito piores do que a pandemia", afirma Bill Gates em entrevista

Milionário fundador da Microsoft falou sobre os desafios mundiais, atuais e futuros, e revela já ter sido vacinado contra a Covid-19.
Correio da Manhã 15 de Fevereiro de 2021 às 11:17
Bill Gates
Bill Gates FOTO: Reuters

O milionário, filantropo e fundador do gigante informático Microsoft, Bill Gates, afirma que  "as alterações climáticas terão efeitos muito piores do que a pandemia de Covid-19". Em entrevista ao El País, a propósito do lançamento do seu novo livro "Como Evitar um Desastre Climático" ("How to Avoid a Climate Disaster", no título original), Gates falou sobre os atuais desafios globais no combate à Covid-19, mas sublinhou a importância de, até 2050, a crise ambiental de emissão de gases com efeito de estufa estar resolvida, com o objetivo de se passar de 51 milhões de toneladas de gases com efeito de estufa emitidos anualmente para zero.

"Já ultrapassámos em grande parte os efeitos mais dramáticos da pandemia, mas é possível que o vírus continue a circular pelo mundo. A questão que se coloca é se conseguimos baixar o número de contágios a zero, ou se tornará numa doença endémica e teremos que ser vacinados contra a Covid-19 a um nível mais alto e de forma continuada. Ainda não sabemos", afirma o norte-americano, que está positivo numa recuperação rápida dos efeitos da pandemia. "Este verão as coisas já voltaram a uma relativa normalidade. E em 2022 países como Espanha ou os EUA já deverão ter recuperado quase totalmente e poderão ter grandes eventos públicos", adianta Bill Gates.

Admitindo já ter recebido a primeira dose da vacina contra a Covid-19 da moderna, que foi dada na Califórnia a maiores de 65 anos, Gates admite que poderá ser necessário mudar alguns destes fármacos para serem eficazes contra as novas variantes do coronavírus, mas afirma que o processo não será demorado. Estamos a investigar. Levaria cerca de três meses a fazer os testes de eficácia, de segurança, e a produzi-las", estima Gates, cuja fundação investiu quase dois mil milhões de euros na investigação e equipamentos médicos contra a Covid-19.

Bill Gates sublinha que um dos maiores desafios atuais, no âmbito da pandemia, é "reduzir a diferença nos tempos de imunização entre países ocidentais e países em desenvolvimento", referindo casos como o Brasil ou a África do Sul, que sofrem com estirpes próprias do vírus e estão a padecer de efeitos da pandemia fortemente também a nível económico.

"A cooperação global é essencial", defende Bill Gates, que admite que "nem tudo funcionou bem", mas acredita que "a próxima pandemia, se bem gerida, não chegará a 10% das mortes e danos" causados pela Covid-19 em todo o mundo, por já "estarmos melhor preparados para o futuro".

"As alterações climáticas serão muito mais difíceis de resolver e, se não as combatermos, os efeitos serão muito piores. Mas fico feliz que o interesse por este tema não tenha caído, como sucedeu com a última crise financeira, porque se tratava de um problema a longo prazo", termina o norte-americano, sublinhando que a União Europeia dedica 35% dos seus fundos de recuperação da Covid-19 aos efeitos do clima e confiante de que a administração Biden vai adotar um novo rumo no que diz respeito à proteção do meio ambiente.

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