Em disputa estavam 1,1 milhões de bitcoins, no valor de cerca de 50 biliões de dólares (cerca de 44 biliões de euros).
Um tribunal da Florida deu na segunda-feira razão ao cientista informático Craig Wright, que afirma ser o criador do bitcoin, o que lhe permite manter uma fortuna, naquela moeda virtual, no valor de dezenas de biliões de dólares.
O júri de um tribunal da Florida, nos Estados Unidos, decidiu que Craig Wright não é devedor de metade de 1,1 milhões de bitcoins à família de David Kleiman, ex-sócio deste empresário australiano.
Este julgamento mediático foi fortemente técnico e o júri teve de ouvir explicações sobre o complexo funcionamento das criptomoedas e ainda sobre as origens 'obscuras' do nascimento do bitcoin, noticia a agência AP.
A deliberação demorou uma semana, com os jurados a repetirem perguntas aos advogados das duas partes, e também ao juiz, sobre o funcionamento do mundo das moedas virtuais e ainda sobre a relação empresarial entre os dois homens.
Em disputa estavam 1,1 milhões de bitcoins, no valor de cerca de 50 biliões de dólares (cerca de 44 biliões de euros) com base na conversão à data desta segunda-feira.
Estes bitcoins foram dos primeiros a serem criados através da mineração e só podiam ser propriedade de uma pessoa ou entidade envolvida nesta moeda digital desde o começo.
Como as origens do Bitcoin sempre foram consideradas um mistério, este julgamento atraiu uma grande curiosidade.
Em outubro de 2008, durante o auge da crise financeira, uma pessoa com o nome de "Satoshi Nakamoto" publicou um documento em que estabelecia uma estrutura para uma moeda digital que não estaria vinculada a nenhuma autoridade legal ou soberana. A mineração da moeda começou alguns meses depois.
O nome Nakamoto, traduzido do japonês significa "no centro de" e nunca considerado o nome real do criador do Bitcoin.
Na comunidade das criptomoedas acreditava-se que Nakamoto não seria apenas uma única pessoa.
Em 2016, Craig Wright afirmou ser Nakamoto, declaração que foi recebida com ceticismo por grande parte desta comunidade.
David Kleiman morreu em abril de 2013 e desde então o seu irmão, Ira Kleiman, em representação da sua família, afirmou que David Kleiman e Wright eram amigos íntimos e cocriadores do Bitcoin.
No processo, a família de Kleiman pedia metade dos bitcoins em disputa, bem como direitos de propriedade intelectual.
Segundo os advogados de Wright, Kleimen era amigo do seu cliente e estes foram sócios, mas a parceria nunca esteve relacionada com a criação e operação inicial do Bitcoin.
Wright já tinha afirmado que planeia doar grande parte da fortuna em moeda virtual para instituições de caridade.
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