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Correio da Manhã

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Crianças exploradas em lares indonésios

A organização internacional “Human Rigts Watch” acusou esta segunda-feira o governo indonésio de ignorar o abuso físico e sexual de milhares de raparigas que trabalham como empregadas domésticas por todo o país.
20 de Junho de 2005 às 13:43
Num relatório de 74 paginas são divulgadas entrevistas, nas quais as crianças denunciam ter-lhes sido negado qualquer tipo de pagamento e admitem o espancamento por parte dos patrões. Em entrevista à Reuters, o autor do relatório, Sahr MuhammedAlly, afirmou que “das 44 meninas entrevistadas, todas elas falam sobre as longas horas de trabalho e que o mesmo trabalho não é pago decentemente. Mais de metade das entrevistadas tinha sofrido algum tipo de abuso sexual ou físico”. Esta organização entrevistou também 19 funcionários governamentais indonésios que na maioria reconheceu a existência de abusos, muito embora nada tenha mudado na abordagem governamental a esta questão.
Este relatório revela também que a atitude das autoridades contrasta com a condenação oficial dada à exploração de trabalhadores adultos na Malásia, Singapura e no Médio Oriente.
O ministro indonésio responsável pela segurança social reagiu ao relatório e afirmou que apesar de não ter visto o relatório, pensa que os críticos falharam porque não compreendem a tradição de ajuda a crianças pobres.
POUCA INVESTIGAÇÃO
O relatório constata que num universo total de 2,6 milhões de trabalhadores indonésios, 600 mil meninas com idades compreendidas entre os 12 e os 18 anos trabalham como ajudantes domésticas. A idade mínima legal para poder trabalhar na Indonésia é 15 anos.
“Muitos indonésios acreditam que o trabalho doméstico é uma opção segura para as crianças pobres. Mas as crianças entrevistadas descreveram ter-lhes sido negado alimento e salário e terem sido violadas. As autoridades indonésias raramente investigam os abusos, e muitas vezes negam que tal abuso ocorre." O relatório incita o governo a emendar as leis do trabalho e reforça que a idade mínima de acesso ao trabalho deve ser reforçada, bem como o acesso à instrução.
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