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Correio da Manhã

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Criou grupo de feministas nuas para se rodear de mulheres belas

O grupo radical Femen, que ficou conhecido pelos protestos de feministas nuas contra a exploração sexual das mulheres, era gerido por Viktor Svyatski, o homem que escolhia pessoalmente as manifestantes.
15 de Setembro de 2013 às 19:00
O polémico Viktor Svyatski foi afastado da liderança do ainda mais polémico grupo ativista
O polémico Viktor Svyatski foi afastado da liderança do ainda mais polémico grupo ativista

O Femen é um grupo de feministas radicais, criado na Ucrânia, em 2008. As suas ativistas ficaram famosas em todo o mundo desde então com os protestos inusitados que têm realizado desde então, por se despirem, na maioria das vezes, contra a repressão da cultura machista, com vista a ganhar notoriedade mediática.

“A nossa missão é o protesto, as nossas armas são seios nus”, é a tradução do slogan deste grupo que faz as delícias dos meios de comunicação e dos homens que vêm as imagens. Homens como por exemplo Viktor Svyatski, que conseguiu tornar-se o líder do Femen e, durante anos, escolhia pessoalmente as mulheres que iriam mostrar os seios para todo o mundo nas ações de protesto.

A revelação de que é um homem quem está por trás do grupo feminista mais conhecido chegou com o documentário ‘Ukraine is not a Brothel’, da australiana Kitty Green, que passou um ano a morar com quatro das ativistas do Femen, a registar a vivência e os protestos do grupo.

O filme, exibido no festival de Veneza que decorreu esta semana, afirma ainda que Svyatski não era só o homem responsável por toda a organização, como foi o fundador desta associação.

“É o seu movimento e ele escolhia a dedo as raparigas. Preferia as mais belas pois são elas que vendem mais. As mulheres mais belas nas capas dos jornais… foi isso que se tornou na sua imagem, foi esta a forma de venderem a marca”, afirma a realizadora do documentário.

Nos últimos meses, algumas das mulheres que estiveram na origem do Femen tiveram de abandonar o grupo para escapar à perseguição de que eram vítimas na Ucrânia. Estas queixam-se de serem “sistematicamente assediadas, espancadas violentamente, vítimas de rapto”, sendo também alvo de várias ameaças de morte por parte das autoridades.

SERIA O LÍDER IDEAL DO MOVIMENTO FEMINISTO SE NÃO FOSSE... O SEU MACHISMO

Em ‘Ukraine is not a Brothel’, Green presta homenagem às capacidades profissionais de Viktor Svyatski mas questiona a sua influência no grupo e, ironicamente, também as suas atitudes machistas.

“Ele era horrível para as raparigas. Gritava com elas e chamava-as de cabras”, diz para a câmara a realizadora. Quando falou com Viktor e lhe apontou o paradoxo de haver uma figura masculina à frente de um grupo feminista, o homem respondeu-lhe: “Estas raparigas são fracas”.

“Elas não têm uma personalidade forte. Nem têm o desejo de se tornarem fortes. Em vez disso, mostram-se submissas, covardia, não eram pontuais e muitos outros fatores que as impediam de se tornarem verdadeiras ativistas políticas”, critica o agora ex-líder do Femen.

A julgar pela forma como as ativistas do Femen se fizeram apresentar em Veneza, e apesar do abandono do líder masculino, os protestos vão continuar com nudez

E quando questionado sobre se na origem do grupo não esteve o desejo de se rodear de mulheres bonitas, respondeu: “Sim, provavelmente algures no meu subconsciente tenha sido essa a razão”.

Hoje em dia já não é este homem que gere o grupo. Inna Shevchenko, uma das caras, sucedeu-lhe e tenta abafar a controvérsia à volta do filme. O “novo Femen” enfrenta agora os “maiores sacanas do sistema patriarcal”.

“Podem criticar-nos mas vamos continuar a lutar. Mesmo que os patriarcas estejam hoje a rir-se de nós, amanhã irão chorar à nossa frente” avisa Shevchenko.

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