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CRISE IRAQUIANA: RÚSSIA E FRANÇA ALINHADAS

As autoridades russas não estão convencidas com as justificações dadas pelo secretário de Estado norte-americano, Colin Powell, para avançar com uma intervenção armada contra o Iraque, a ser legitimada por uma segunda resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas, que Washington já deu a entender estar disposto a aceitar.
7 de Fevereiro de 2003 às 11:50
Igor Ivanov, ministro dos Negócios Estrangeiros russo, não ficou convencido com as provas apresentadas pelos EUA
Igor Ivanov, ministro dos Negócios Estrangeiros russo, não ficou convencido com as provas apresentadas pelos EUA
Em resposta a esta eventualidade, o Ministério dos Negócios Estrangeiros russo fez saber que não considera necessário aprovar uma segunda resolução do Conselho de Segurança a autorizar o uso da força para desarmar o regime iraquiano, uma posição que vem ao encontro do que defende também o Governo francês. França e Rússia têm o poder de veto no Conselho de Segurança.

Esta quinta-feira, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Dominique de Villepin, já havia afirmado que não era altura de avançar com uma segunda resolução, mas sim de prosseguir com as inspecções no Iraque. Já hoje, a ministra da Defesa gaulesa, Michèle Alliot-Marie, reafirmou esta ideia, assinalando que não é altura de preparar a guerra, mas de manter as inspecções.

Para Moscovo, qualquer acção futura contra o regime iraquiano deverá fundamentar-se nos relatórios a elaborar pelos responsáveis pela Comissão de Monitorização, Verificação e Inspecção das Nações Unidas (UNMOVIC) para o desarmamento do Iraque, Hans Blix, e pela Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA), Mohamed El-Baradei, que se deslocam este fim-de-semana a Bagdad.

Os dois principais responsáveis pelas inspecções de armas no Iraque, que afirmaram recentemente que só regressariam a Bagdad se as autoridades iraquianas garantissem mais cooperação à missão da ONU, mostraram também interesse em encontrar-se com Saddam Hussein durante esta sua visita, que será seguida de um novo relatório sobre as inspecções de desarmamento.

Os dois responsáveis pela missão dos inspectores de desarmamento das Nações Unidas foram convidados a visitar o Iraque para conversações antes da apresentação de um segundo relatório ao Conselho de Segurança, no próximo dia 14. Os dois homens já haviam visitado Bagdad.antes da apresentação do primeiro relatório, a 27 de Janeiro.

Entretanto, quinta-feira à noite, Bagdad cedeu a uma das exigências de Hans Blix e Mohamed El-Baradei, ao permitirem aos inspectores da ONU interrogarem pela primeira vez um cientista iraquiano sem a presença de oficiais iraquianos a controlar a conversa. Blix já comentou este encontro a sós com um biólogo iraquiano, que durou cerca de três horas e meia, assinalando que demonstra vontade de cooperação por parte do regime iraquiano.
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