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Correio da Manhã

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Cristãos atacados em Beirute

A tensão política no Líbano, em crescendo desde o assassinato do ex-primeiro-ministro Rafik al-Hariri em Fevereiro, despoletou este sábado um perigoso sinal de guerra civil, com o rebentamento de um forte engenho explosivo num subúrbio cristão da capital, Beirute.
19 de Março de 2005 às 18:38
Os primeiros andares de um bloco residencial num bairro cristão de Beirute ficaram completamente 'esventrados' devido à onda de choque libertada pela explosão desta madrugada. O ataque feriu um número indeterminado de pessoas e destruiu diversos automóveis.
Os efeitos físicos deste atentado - que ninguém reivindicou - são menores que o sinal político que ele coloca no horizonte do Líbano. O país esteve mergulhado na guerra civil desde 1975 a 1990 e foi desde aí tutelado pela Síria com uma forte presença militar. Quer isto dizer que há três décadas que a normalidade constitucional não existe no Líbano.
No dia 14 de Fevereiro, os libaneses libertaram o grito de revolta há muito contido devido ao assassinato à bomba, em Beirute, do carismático Hariri. A Síria deu início à retirada militar, cuja primeira fase foi concluída na quinta-feira, e o governo libanês pró-sírio 'caiu'.
A normalização parecia estar à vista, mas o mesmo primeiro-ministro libanês pró-sírio foi chamado a formar governo... e ainda não conseguiu. A tensão social acompanhou as incertezas políticas e um primeiro sinal de violência ficou hoje à vista de todos, reavivando a memória dos tempos da guerra civil.
Sinal da gravidade da situação foi a atitude do presidente libanês, Emile Lahoud, que chamou a si a responsabilidades da reconciliação nacional libanesa. Lahoud cancelou a sua participação numa cimeira árabe na Argélia, na próxima semana, e convidou todos os líderes políticos libaneses para uma ronda de conversações, anunciando que está à disposição para negociar quando e onde quiserem e que mantém também os portões do palácio presidencial abertos.
O líder druzo Walid Jumblatt, uma das mais importantes figuras da oposição no Líbano, responsabilizou os sírios pela explosão no bairro cristão de Beirute e recusou o convite do presidente libanês para o diálogo. A tensão permanece sem escape à vista, reforçando o prognóstico de alguns analistas, segundo os quais o Líbano está, novamente, à beira da guerra civil.
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