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Cruzes negras na praia de Copacabana homenageiam as 100 mil vítimas mortais do coronavírus no Brasil

Alguns apoiantes de Bolsonaro criticaram a manifestação, alegando que esta tentava atingir o presidente com informações falsas.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 8 de Agosto de 2020 às 17:48
Cruzes negras na praia de Copacabana homenageiam as 100 mil vítimas mortais do coronavírus no Brasil
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Cruzes negras na praia de Copacabana homenageiam as 100 mil vítimas mortais do coronavírus no Brasil
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Cruzes negras na praia de Copacabana homenageiam as 100 mil vítimas mortais do coronavírus no Brasil
Cruzes negras na praia de Copacabana homenageiam as 100 mil vítimas mortais do coronavírus no Brasil

A mais famosa praia brasileira, Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, amanheceu este sábado com uma imagem mais triste mas real, com 100 cruzes negras fincadas na terra contrastando gritantemente com a areia clara tão conhecida por habitantes locais e turistas do mundo inteiro, numa emocionante homenagem às 100 mil pessoas mortas até agora pela Covid-19 no Brasil.

De acordo com os números mais recentes, divulgados às 08h00 deste sábado, horário local, 12h00 em Lisboa, até essa altura já tinham sido confirmadas no Brasil 99.743 mortes em decorrência da Covid-19, a doença provocada pelo coronavírus, e até final deste sábado, o número de 100 mil mortes deverá ser atingido e até largamente ultrapassado, pois o país regista há dois meses mais de mil óbitos por dia.

Sobre cada uma das cruzes negras via-se um balão encarnado biodegradável com gás, e outros 900 balões foram suspensos em redor do local da manifestação, organizada pela ONG (Organização Não Governamental) Rio de Paz. Uma faixa com mais de quatro metros de largura expunha a tragédia e a dolorosa pergunta: "100 mil. Por que somos o segundo país do mundo em mortes pela Covid-19?"

Tal como em outros atos semelhantes realizados nos últimos meses, algumas (poucas) pessoas que passaram este sábado pelo local e aparentemente são apoiantes de Jair Bolsonaro, que nega a pandemia e a gravidade da doença provocada pelo coronavírus, criticaram a manifestação, alegando que tentava atingir o presidente com informações falsas. Participantes no ato em memória das vítimas foram até essas pessoas e, sem agressividade ou clima de disputa política, explicaram as razões da homenagem e contaram o drama pessoal que cada uma delas viveu.

Um dos manifestantes que conversou com os críticos foi o motorista de táxi Márcio António do Nascimento Silva, que perdeu um filho de 25 anos, morto por complicações provocadas pelo coronavírus. Hoje já uma figura conhecida, Márcio emocionou muita gente num ato anterior ao recolocar de pé uma por uma, entre lágrimas de sofrimento e revolta, várias cruzes que um desconhecido tinha derrubado de propósito por não concordar com a manifestação de então, e hoje contou o seu drama aos que criticavam a nova homenagem em memória dos mortos.

"Eu tive de pegar o corpo do meu filho e botar no caixão num saco. Então, o senhor não pode dizer que estas mortes são fake news (notícias falsas)", esclareceu o taxista a um dos críticos, relembrando que a dor fica ainda maior porque amanhã, domingo, se comemora no Brasil o Dia do Pai. "Não é fácil estar aqui, não é fácil, não é fácil relembrar isso tudo. Amanhã é o Dia do Pai. E eu, como muitos pais e muitos filhos, não vamos poder estar ao lado dos nossos entes queridos. Então, para mim, estar aqui hoje representa muito", declarou o profissional do volante.

Nas últimas horas, médicos e outros especialistas, assegurando que grande parte das mortes registadas no país eram evitáveis, fizeram declarações fortemente críticas ao desempenho do poder público em relação ao combate à pandemia do coronavírus no Brasil, que registou oficialmente o primeiro infetado em 26 de Fevereiro e a primeira morte em 12 de março, devendo o total de infetados atingir nas próximas horas outro impressionante patamar, o de três milhões de pessoas infetadas no país. Também até às 08h00 deste sábado, o número oficial de infetados por coronavírus no Brasil era de 2.967.634 pessoas, podendo passar dos três milhões nas próximas horas, já que o número diário de novos infetados tem sido de mais de 50 mil a cada 24 horas.

Negacionista ferrenho da gravidade da pandemia de coronavírus, que inicialmente chegou a dizer ser uma invenção da imprensa e depois classificou como uma simples "gripezinha", o presidente Jair Bolsonaro continua a mostrar pouco interesse pelo assunto e a minimizar a matança provocada pela Covid-19. Na sua última live, informado de que o Brasil deveria chegar este sábado ao astronómico número de 100 mil pessoas mortas pela doença, Bolsonaro evidenciou total indiferença, limitando-se a dizer, sem qualquer assomo de consternação, "lamento essas mortes, mas temos de tocar a vida, vamos tocar a vida."
Mais informação sobre a pandemia no site dedicado ao coronavírus - Mapa da situação em Portugal e no Mundo. - Saiba como colocar e retirar máscara e luvas - Aprenda a fazer a sua máscara em casa - Cuidados a ter quando recebe uma encomenda em casa. - Dúvidas sobre coronavírus respondidas por um médico Em caso de ter sintomas, ligue 808 24 24 24
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