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Danielle Rizzo tem dois filhos autistas. Acabou por retirar o processo em troca do pagamento de 250.000 dólares.
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Danielle Rizzo tem dois filhos autistas, um com seis anos e outro com sete. Ambos foram concebidos com recurso a um dador anónimo. Foi há três anos que Rizzo descobriu, durante uma pesquisa por tratamentos para o seu filho, que estes fazem parte de uma "família" de pelo menos 12 crianças que padecem do transtorno do espectro autista espalhadas pelos EUA, Canadá e Europa e que foram todas concebidas com o esperam de um dador.
Este fenómeno tem sido estudado por alguns dos principais investigadores deste tipo de mutações genéticas. Nos últimos anos têm sido recolhidas amostras de saliva de sangue das famílias para tentar entender este fenómeno. Mas quando Rizzo foi consultar um especialista em genética, este respondeu-lhe que tantos bebés com autismo descenderem do mesmo dador era tão provável quanto todas as mães abrirem um dicionário ao calhas e apontarem para a mesma palavra, refere o Washington Post. Mas a mãe das duas crianças não queria acreditar. Tinha de ser o dador a causa que, muitas vezes podem chegar a ser pais de 10, 20, 50 crianças (cada doação vale, por norma, 100 dólares, nos EUA).
Muitas destas 12 crianças identificadas não padecem apenas de desordem do espectro do autismo, mas também de défices de atenção, dislexia, epilepsia, ou outros entraves ao desenvolvimento ou à capacidade de aprendizagem.
Um estudo de 2018 do Centro de Controlo e Prevenção de Doenças (CD), dos Estados Unidos, mostrou que existe um caso de autismo diagnosticado para cada 59 crianças e que este número tem vindo a crescer nos últimos anos. Em 2014 eram 59 crianças para um, enquanto dois anos antes eram 1 em cada 68. O aumento no número de casos, no entanto, não significa necessariamente que mais pessoas padeçam de distúrbios no espectro do autismo hoje do que há 30 anos. O que se pode estar a verificar é uma maior abrangência do qeu é considerado autismo em termos médicos.Muitas vezes o autismo torna difícil a um indivíduo ter uma vida autónoma, mas existem exemplos de pessoas que padecem desta síndrome e são altamente bem sucedidas, como o criador dos Pokémon Satoshi Tajiri, ou a ativista pelos direitos climáticos Greta Thunberg. Na sequência disto, nos últimos anos têm surgido vários grupos que pedem que o autismo não seja considerada uma doença, mas sim um traço de personalidade que difere milhares de pessoas e que deve ser celebrado.
Mas Rizzo sabe que as suas crianças estão a sofrer nesta idade e a sua esperança é que aprendam a lidar com esta desordem à medida que forem envelhecendo. E precisava de descobrir o que tinha causado o autismo aos seus filhos. Foi pesquisar o dador que havia escolhido para os seus dois filhos e encontrou referências a este em quatro bancos de esperma. Mas todos recusaram fornecer mais informações sobre o mesmo e a Food and Drug Administration referiu que apenas pode interferir na indústria da doação de esperma em situações referentes a doenças sexualmente transmissíveis.
Rizzo e a sua companheira começaram a procurar um dador pouco depois de casarem, em 2011. Encontraram o perfil perfeito no dador H898, um homem loiro, de olhos azuis, 1,86 metros, 108 quilos e com um bom currículo, mestrado e empregado como fotógrafo de situações médicas. Mas o principal da sua folha de dador era que não tinha qualquer doença no currículo. A única referência a doenças na sua família era à do avô paterno que morreu de cancro da próstata aos 85 anos.
O primeiro filho nasceu em setembro de 2011 e o seu desenvolvimento foi completamente normal, aprendendo a gatinhar, sentar-se e a dizer as primeiras palavras. As duas mães quiseram logo ter um segundo que nasceu 14 meses depois. E foi por volta dessa altura que se começaram a notar diferenças no comportamento da primeira criança. Este deixou de olhar para as pessoas na cara, deixou de responder pelo seu nome e não brincava com outros meninos. O seu segundo filho começou também a exibir os mesmos sintomas aos dois anos.
Depois de consultas médicas, ambos foram diagnosticados com autismo e apesar da terapia tudo parecia piorar. As crianças tornaram-se menos comunicativas e começaram a fazer mais birras e tornarem-se agressivas. As duas mulheres separaram-se e Rizzo, que ficou com a custódia, teve de se mudar para a cave dos pais.
Duas mães que já se encontraram com o dador H898 descreveram-no como "sensual", "generoso" e "corajoso". Mas isso não impediu Rizzo de processar o homem, acusando-o de ser "desonesto" e de não poder ser dador. Na queixa apresentada em tribunal pode ler-se que "o dador H898 é um prolífico dador de esperam que foi pai de pelo menos 12 crianças através de doação de esperma, e que todas essas crianças foi diagnosticada com autismo, ou sofrem de sinais ou sintomas associados com autismo". Algumas mães corroboraram esta história. O processo foi contra a empresa que detinha os bancos que receberam a doação.
A mãe acabou por retirar o processo em troca do pagamento de 250.000 dólares.
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