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Correio da Manhã

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DAILY MIRROR PEDE DESCULPA

O jornal “Daily Mirror”, na edição deste sábado, pediu desculpa em manchete ao Regimento de Lancashire da Rainha e a todos os militares britânicos em serviço no Iraque, aos quais acusaram de torturar presos iraquianos com base em fotografias que o jornal admite agora serem falsas.
15 de Maio de 2004 às 16:59
Depois de as fotografias terem sido reveladas o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, chegou a pedir desculpas mas, mais tarde, o secretário de Estado da Defesa, primeiro, e o brigadeiro Geoff Sheldon, do referido regimento, garantiram que as imagens eram falsas, alegando que uma das armas que nelas se viam não estava a ser usada no Iraque e que o camião militar que se via noutra imagem já tinha sido identificado e também não estava no Iraque.
Na conferência de imprensa que ontem conduziu, o brigadeiro Sheldon exigiu um pedido de desculpas por parte do jornal e pediu ao mesmo que ajudasse a apurar os autores do embuste, garantindo que mesmo que seja um elemento do seu regimento, presumivelmente integrado no contingente territorial, este será punido de forma exemplar.
Ontem à noite, a direcção do “Daily Mirror” apresentou um primeiro pedido de desculpas, directamente, e demitiu o editor responsável pela publicação das imagens, Piers Morgan, que alegadamente recusou apresentar demissão e teve mesmo de ser expulso do edifício do jornal. Já esta manhã, o brigadeiro Sheldon aceitou o pedido de desculpas, mas insistiu em como o “Daily Mirror” deve colaborar no inquérito para apurar quem foi o autor das imagens falsas. Nenhuma fonte militar e governamental quis comentar o despedimento do editor Piers Morgan, mas algumas notícias indicam que havia festejos entre comandantes militares. O coronel David Black, antigo comandante do regimento da rainha, tinha dito anteriormente: “É chegada a altura de o ego de um editor ser colocado na balança com a vida do soldado”.
O jornal “Sun” havia oferecido um prémio de 50 mil libras a quem fornecesse informações sobre as fotografias falsas publicadas pelo Mirror, mas retirou a oferta após ter sido conhecido o despedimento de Morgan.
A admissão de que as fotografias de maus-tratos a prisioneiros iraquianos são falsas não encerra a polémica. Ontem à noite, na televisão ITV, o informador do “Daily Mirror” denominado Soldado C, presumível membro do contingente territorial do regimento da rainha, insistiu em como soldados britânicos abusaram de prisioneiros no Iraque, salvaguardando não se tratar, no entanto, de uma prática sistemática.
Na edição deste sábado – e apesar de pedir desculpa pelas fotos falsas – o “Daily Mirror” insiste em como as imagens foram publicadas de boa-fé e garante que existiram abusos em prisões britânicas no Iraque. “Outros quatro indivíduos contaram histórias semelhantes. Nenhuma prova foi apresentada para contrariar estes testemunhos”, escreve o jornal.
SOLDADOS INTERROGADOS
Quatro soldados britânicos foram detidos e interrogados pela Polícia Militar do Reino Unido sobre alegados maus-tratos a prisioneiros iraquianos.
De acordo com fontes militares britânicas, os quatro soldados foram interrogados e depois postos em liberdade. O governo britânico tem estado sob crescente pressão internacional para investigar alegações de abusos sobre prisioneiros no Iraque. Sabe-se que existem 33 queixas concretas, 12 das quais ainda estão a ser investigadas. Das 21 investigações já concluídas, seis podem conduzir a acusações formais.
Em público tem sido mais referido o caso de um prisioneiro que morreu numa prisão britânica em Bassorá, em Setembro do ano passado. Oficialmente, o prisioneiro morreu de ataque cardíaco, mas a Cruz Vermelha recolheu testemunhos no local que apontam para uma morte em resultado de tortura.
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