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David Valadao luta por ser novo luso-americano no Congresso

O jovem político David Valadao, um republicano moderado, está envolvido numa luta renhida para se tornar no novo congressista luso-descendente eleito pela Califórnia, numa eleição em que é central a melhoria das condições dos agricultores.
3 de Novembro de 2012 às 11:08
David Valadao, EUA, luso-americano, eleições
David Valadao, EUA, luso-americano, eleições FOTO: d.r.

Com apenas 34 anos, Valadao, que já foi congressista estadual e fala português fluentemente, ganhou com facilidade as primárias do partido em Junho, e enfrenta na próxima terça-feira o democrata John Hernandez, estando as sondagens a mostrar equilíbrio entre os candidatos.

Ele próprio de uma família ligada à exploração pecuária, Valadao diz que, além dos elevados níveis de desemprego, a comunidade portuguesa está a ser afectada pelas difíceis condições que a indústria de lacticínios enfrenta.

Os custos de alimentação do gado têm surgido devido à falta de água para os agricultores, pelo que são necessárias medidas para assegurar a descida dos preços.

"Precisamos de infra-estruturas, de mais armazenagem de água e de rever a legislação", afirmou em entrevista à Lusa.

Aponta em particular o efeito nefasto da legislação para as espécies de peixes protegidas, que limita o consumo de água em prejuízo do uso pela indústria agro-pecuária, e como tal deve ser "reformada".

"Queremos um ambiente limpo e são. Mas temos que lembrar que não podemos pôr peixes acima das pessoas", disse o candidato luso-americano.

"Uma das minhas prioridades vai ser assegurar água para a região", adiantou.

A campanha está a ser favorável e as sondagens dão mesmo vantagem "por um bocado", diz Valadao.

Foi numa assembleia onde os republicanos são minoritários em relação a democratas (27 para 52) que Valadao se habituou a trabalhar com o outro lado da bancada, algo que no Congresso em Washington tem sido raro recentemente, com os dois partidos em clivagem em relação aos grandes temas.

Mesmo no distrito em que foi eleito para a assembleia da Califórnia, o eleitorado republicano era minoritário, cerca de 35 por cento do total, afirma.

O novo distrito tem 200 mil eleitores, dos quais metade deverá votar antecipadamente e por correspondência, uma tendência crescente nas eleições norte-americanas.

"Sentimo-nos bem, mas vamos continuar a trabalhar. Na TV, no correio, na rua, a falar com as pessoas", adiantou.

Na campanha, encontrou os republicanos "entusiasmados com o Romney que viram" nos debates e acredita na eleição e no impacto positivo a nível económico.

"A Califórnia e os Estados Unidos têm de ser competitivos a nível mundial, se queremos criar empregos e atrair investimento", diz Valadao.

"Romney tem de fazer isso a nível federal e, como ex-governador com experiência nos negócios, é alguém qualificado para isso", adianta.

Se ganhar, Valadao integrará o grupo de congressistas luso-americanos ("caucus") no Congresso, mas ainda "não pensou" no que poderão vir a ser as suas propostas naquele fórum.

Afirma ter "uma boa relação" com o democrata Jim Costa e um "ótimo entendimento" com o também republicano da Califórnia Devin Nunes, que se desentenderam nas últimas eleições (2010).

Nunes esteve mesmo afastado do último "caucus", co-presidido por Costa e pelo também democrata Dennis Cardoza, que este ano não se recandidata.

Valadao acredita poder ser uma força conciliadora dentro do Caucus, até porque não foi parte no desentendimento e tem uma tradição de trabalhar entre democratas e republicanos.

"O facto de haver mais republicanos [dentro do Caucus, se for eleito] não deveria mudar nada. Devíamos todos lutar pelo mesmo", afirma.

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