Um debate excessivamente morno, que em alguns momentos chegou mesmo a ser enfadonho, marcou o encerramento da campanha para as eleições brasileiras de amanhã.
Os quatro principais candidatos à presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, do Partido dos Trabalhadores, José Serra, do Partido da Social-Democracia Brasileira, Anthony Garotinho, do Partido Socialista Brasileiro e Ciro Gomes, do Partido Popular Socialista, estiveram durante duas horas e meia frente às câmaras da TV Globo mas decepcionaram quem esperava um debate tão quente quanto o clima que a campanha eleitoral assumiu em vários momentos.
Uma das principais razões da ausência de tensão e discussão foi o padrão adoptado pela Globo para todos os debates nestas eleições, retirando qualquer hipótese de troca de opiniões mais acesa ou provocações pessoais.
O debate foi dividido em cinco blocos: em dois deles, cada candidato fazia a outro, escolhido por sorteio, uma pergunta também sorteada entre várias possíveis, tendo o inquirido três minutos para responder, a que se seguia um minuto para a réplica do inquiridor e outro minuto para a tréplica do indagado. Noutros dois blocos, sempre respeitando os mesmos tempos, definidos pela emissora com base num trabalho do matemático Oswald de Sousa, os temas eram livres. No último bloco, cada candidato teve três minutos para fazer uma análise do próprio debate.
O esperado embate entre o líder das sondagens, Lula da Silva, e o segundo colocado, José Serra, acabou por não acontecer. Serra, ex-ministro do Planeamento e da Saúde do presidente Fernando Henrique Cardoso, gastou parte do seu tempo esquivando-se da conotação com o governo e pouco atacou Lula. Este, por seu turno, manteve sempre uma postura sobranceira, arrogante algumas vezes. Numa delas, reagiu às críticas de que não dava respostas concretas às perguntas que lhe faziam dizendo que, como líder absoluto das sondagens, tinha que manter "uma posição mais responsável que certos candidatos".
GAROTINHO FOI VEDETA
Garotinho acabou por ser o destaque do debate, coadjuvado por Ciro Gomes em várias oportunidades. Ele centrou as suas alocuções em ataques ao governo de Fernando Henrique Cardoso, sem se esquecer de frisar que Serra foi sempre um dos seus ministros da maior confiança, mas também atacou Lula e o Partido dos Trabalhadores.
Aliás, Lula foi mais de uma vez ironizado pelos outros candidatos, face ao vazio das suas respostas, ao desconhecimento de muitas matérias e a alguns equívocos grosseiros. Tentando mostrar que dominava a situação, Lula da Silva disparava uma infinidade de números bem decorados.
Numa dessas situações, interrogado por Garotinho se no seu governo manteria a CIDE, Lula respondeu como se a sigla se referisse a um orgão governamental, claramente desconhecendo que ela representa a contribuição que se paga na compra de combustíveis. Em outro momento, quando Serra questionou porque na cidade de São Paulo, gerida pelo Partido dos Trabalhadores, o preço da passagem dos autocarros era a mais cara do Brasil, Lula disse que não sabia quanto era, mas se era deveria haver razões para isso...
Rio quer ‘extraditar’ Fernandinho
O narcotraficante Fernandinho Beira-Mar, actualmente preso no Rio de Janeiro, poderá ser enviado aos EUA, onde ficará até ser construída no Brasil uma prisão suficientemente segura para mantê-lo preso.
A informação foi dada pela Secretaria de Segurança Pública do Rio de Janeiro. Percebendo a enorme ‘gaffe’ na véspera das eleições, pois seria o reconhecimento oficial de que o governo do Rio -- controlado pelo Partido dos Trabalhadores, de Luiz Inácio Lula da Silva, -- não tem capacidade de manter preso um criminoso, a notícia acabou, no entanto, por ser desmentida pelo próprio secretário da segurança Pública, Roberto
Aguiar.
Fernandinho Beira-Mar, líder da facção criminosa Comando Vermelho, é suspeito de ter sido um dos organizadores da prova de força que na segunda-feira obrigou ao encerramento do comércio no Rio e de estar a organizar acções ousadas para domingo, dia das eleições presidenciais e gerais. Entre essas acções, de acordo com denúncia feita pelo Procuradoria-Geral do Estado do Rio, estaria o resgate do narcotraficante do quartel onde se encontra desde que comandou uma rebelião na penitenciária Bangu.
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