Presidente interina da Venezuela indicou que a deportação do empresário foi "uma medida administrativa (...) justificada pelos interesses nacionais".
A Presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, defendeu esta segunda-feira que a deportação para os Estados Unidos de Alex Saab, alegado testa de ferro de Nicolás Maduro, ocorreu em prol dos interesses do país.
"Qualquer decisão tomada pelo Governo será no interesse da Venezuela (...) não há outra consideração. Alex Saab é um cidadão de origem colombiana, ocupou cargos na Venezuela, e estas são questões entre os Estados Unidos da América e Alex Saab", apontou Delcy Rodríguez numa declaração na emissora estatal VTV.
A governante, que em 2023 celebrou o regresso de Saab como uma vitória para o Governo venezuelano após negociações entre os Estados Unidos e o país sul-americano, indicou que a deportação do empresário foi "uma medida administrativa (...) justificada pelos interesses nacionais".
Antes, o ministro do Interior e da Justiça, Diosdado Cabello, tinha realçado que Saab cometeu "todo o tipo de fraudes" e salientou que a sua deportação para os Estados Unidos ocorreu porque não é cidadão venezuelano.
"Quando questionado sobre o seu número de identidade, disse: 'Não me lembro' (...) e, como resultado, bem, uma série de fraudes contra o Estado venezuelano também estão a ser investigadas, e quando falo de fraude, estou a falar de todo o tipo de fraude", explicou Cabello na conferência de imprensa semanal do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), o partido no poder.
O também secretário-geral do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), partido no poder, explicou ainda que Saab foi deportado para os Estados Unidos devido à investigação de branqueamento de capitais que enfrenta naquele país.
Sublinhou ainda que a decisão se baseia no artigo 271.º da Constituição venezuelana, que estipula que "em nenhuma circunstância poderá ser negada a deportação de estrangeiros responsáveis pelos crimes de branqueamento de capitais, tráfico de droga, crime organizado internacional, crimes contra o património público de outros Estados e violações dos direitos humanos".
O Serviço Administrativo de Identificação, Migração e Estrangeiros (SAIME) venezuelano anunciou que a deportação de Saab foi realizada no sábado "em conformidade com a lei de imigração venezuelana".
Saab foi detido em Cabo Verde em junho de 2020, na sequência de um pedido dos Estados Unidos, que o acusaram de alegada lavagem de dinheiro.
Na altura, o antigo diplomata estava a caminho do Irão para realizar uma missão humanitária para o Governo venezuelano e foi extraditado para os Estados Unidos em outubro de 2021.
Caracas exigiu repetidamente a libertação de Saab, denunciando o que considerava ser uma violação da sua imunidade diplomática e apelidando a sua detenção de rapto.
Após mais de três anos, os Estados Unidos concordaram em libertar Saab no âmbito de um acordo com o Governo do Presidente Nicolás Maduro, que incluiu também a libertação de dez cidadãos norte-americanos detidos na Venezuela.
Em outubro de 2024, Maduro nomeou Saab como ministro da Indústria e Produção Nacional.
Desde janeiro de 2024 que o ex-diplomata chefiava também o Centro Internacional de Investimento Produtivo, do qual foi demitido pela própria Rodríguez poucas semanas após a detenção de Maduro pelos EUA.
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