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Correio da Manhã

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Desastre mineiro revolta turcos

Milhares de pessoas começaram ontem a reunir-se na capital do país, Ancara, associando-se à greve contra o governo, que acusam de negligência.
16 de Maio de 2014 às 18:12
Um assessor do primeiro-ministro agrediu a pontapé um manifestante
Um assessor do primeiro-ministro agrediu a pontapé um manifestante FOTO: Reuters

Os sindicatos turcos convocaram ontem uma greve de 24 horas em homenagem aos 282 mineiros que morreram asfixiados no interior de uma mina de carvão em Soma, na terça-feira, após uma explosão e um incêndio os ter encurralado. A tragédia desencadeou uma onda de protestos contra o governo, numa altura em que pelo menos uma centena de mineiros estão ainda presos nas galerias.

Sindicalistas apontam a recente privatização do setor mineiro como um impulsionador da falta de condições de segurança na profissão. "Aqueles que com as privatizações e políticas ameaçam a vida dos trabalhadores para reduzir custos são os culpados do massacre de Soma e devem ser responsabilizados por isso", declarou a união sindical em comunicado. Perto de três mil pessoas começavam ontem a reunir-se em Ancara, com protestos associados à paralisação previstos em mais 13 cidades por todo o país.

Cerca de 20 mil turcos manifestaram-se também em Esmirna, a cerca de 130 km do local do desastre, apontando responsabilidades ao governo naquela que é agora a maior catástrofe mineira da Turquia. A polícia usou gás lacrimogéneo e canhões de água para dispersar a multidão, tal como aconteceu noutro protesto, na capital, com cerca de 200 manifestantes.

Num dos cartazes lia-se: "Isto não foi acidente, nem obra do destino. Isto foi um massacre."

Raiva e dor tomam agora conta das famílias, que aguardam a retirada dos corpos junto à mina, com a esperança de encontrar sobreviventes praticamente extinta.

A revolta contra o governo turco esteve espelhada no forte dispositivo de segurança que rodeou ontem o presidente Adbullah Gul durante uma visita ao local da tragédia.

De acordo com a imprensa local, há três semanas o Parlamento recusou-se a constituir uma comissão para avaliar as condições de segurança das minas do país.

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