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Descobre que juiz que aumentou pensão de alimentos era o amante da ex-mulher

Homem desconfiou quando a pensão de alimentos da filha subiu de 200 para 450 euros e contratou um detetive.
SÁBADO 2 de Outubro de 2019 às 12:36
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Tudo começou com um pedido de revisão das responsabilidades parentais por parte da mulher ao seu ex-marido. Reclamava que a situação económica do antigo companheiro tinha melhorado recentemente e que a filha de ambos passava o tempo com os avós paternos e não com o progenitor.

Quando o juiz decidiu aumentar a pensão mensal de 200 para 450 euros e proibir visitas às terças-feiras à tarde, o pai ficou desconfiado. Considerou a alteração "absoluta e surpreendentemente injusta" e encomendou uma investigação de um detetive privado à ex-mulher no mesmo dia.

O que o marido viria a descobrir era que a mãe da sua filha mantinha um relacionamento com o mesmo juiz que lhe aumentou a pensão de alimentos. O magistrado foi agora suspenso e as duas medidas tomadas contra o pai foram anuladas pela juíza que o substituiu no caso pela "carência de qualquer suporte probatório".

A história foi contada pelo El Español sem contar nomes e passou-se na província espanhola de Ávila, a noroeste de Madrid. O jornal do país vizinho indica também que o investigador contratado pelo pai encontrou o juiz "a passear com a mulher, aos beijos, deslocando-se à escola da menor, com a menor a subir ao carro do próprio S.A. [juiz] com a mãe, na casa dos avós maternos a interagir com a menina (…), situações que não dão lugar a dúvidas quanto a uma relação sentimental, de confiança e criada com tempo suficiente para estar enraizado no seio da família" da mulher.

O homem indicou depois o investigador particular como testemunha, cujo relatório chegou ao tribunal quatro dias depois. Neste estava, inclusive, uma fotografia do juiz com a mãe da menina numa cerimónia em Ávila – no mesmo dia em que o magistrado emitiu a ordem que aumentava a pensão de alimentos.

No mesmo dia em que a investigação entrou no tribunal, o juiz pediu escusa do processo indicando que tinha "estado várias vezes com a queixosa" – especificando os dias 5, 6, 7 e 11 de junho de 2018 – para discutir trabalhos que este havia realizado sobre violência de género.  O magistrado lamentou ainda que a sua "objetividade pode ser ter sido comprometida" ao processar o caso.

Mais tarde, o tribunal pediu ao juiz mais esclarecimentos quanto ao motivo de abstenção do caso e este indicou que se encontrou com a mulher num bar "com posterioridade" à revisão das medidas parentais e "após uma conversa descontraída", concordou em "colaborar num trabalho sobre violência de género" com a mãe e os avós maternos da menina.

Admitiu que gerou-se uma relação de "confiança, empatia, afeto e sentimento" e que a "existência de uma relação de afinidade" justificava a sua abstenção. O pedido foi aceite pelo tribunal de Ávila e o caso foi entregue a uma juíza, com as medidas revistas a serem anuladas do caso.

Após investigação, o Conselho Geral de Poder Judicial espanhol pediu seis meses de suspensão de funções judiciais pelo "incumprimento do dever de abstenção" mas a Comissão Disciplinar impôs um ano e meio de suspensão, sem remuneração.

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