Alterações climáticas afetam Grande Barreira.
A Grande Barreira de Coral (GBC) na Austrália está a sofrer a pior crise de descoloração desde que há registos, com 93% da área já afetada, anunciou esta quarta-feira uma equipa de cientistas de uma universidade australiana.
Os investigadores da James Cook University afirmam que a observação aérea e subaquática da GBC mostra que apenas 7% do recife escapa ao fenómeno do branqueamento ou descoloração do coral, provocado pelo aumento da temperatura da água.
"Nunca tínhamos visto uma escala de descoloração como esta", afirmou Terry Hughes, coordenador da equipa responsável pela observação do recife, a National Coral Bleaching Taskforce (NCBT).
A degradação da cadeia de recifes, que se estende ao longo de cerca de 2.300 quilómetros da costa leste da Austrália e ocupa uma área de quase 345.000 quilómetros quadrados, varia entre fraca nas regiões do sul – que devem recuperar rapidamente – a muito severa nas regiões mais selvagens ao norte.
De acordo com Terry Hughes, citado por agências internacionais, dos 911 recifes individuais inspecionados, apenas 68 (ou 7%) escapam ao fenómeno generalizado da descoloração, ou branqueamento, que já se regista também fora da região da GBC, estendendo-se para sul até à região de Sydney, e também na costa ocidental australiana.
De acordo com a investigadora Verena Schoepf, da University of Western Australia, o coral continua a morrer numa zona que visitou recentemente numa zona longínqua da costa norte.
"Alguns dos locais onde trabalho sofrem processos muito severos, com índices de descoloração entre os 80% e os 90%", afirmou a investigadora à agência France-Presse.
Descoloração de coral estende-se a muitas regiões do Pacífico
O ministro australiano do Ambiente, Greg Hunt, afirmou também que é "absolutamente claro que está a ocorrer um evento de descoloração de coral não apenas na Grande Barreira, mas em muitas regiões do Pacífico".
De acordo com Hughes, a descoloração começou no Havai no final do ano passado e afetou já várias ilhas do Pacífico.
A descoloração do coral acontece sob condições ambientais anormais, como o aumento da temperatura da água. Em reação ao aumento da temperatura ambiente, os pólipos de coral expelem algas simbiótica que vivem nos seus tecidos e fornecem alimento através dos subprodutos da fotossíntese e dão origem ao colorido dos corais.
Com a expelição das algas, denominadas 'zooxantelas', a estrutura do coral torna-se branca e, nestas condições, com problemas de alimentação - mas também de reprodução e de crescimento -, se o evento de branqueamento se prolongar, o coral pode morrer.
Quando a temperatura regressa a valores normais, as algas voltam a colonizar os tecidos dos pólipos e o coral recupera em cerca de um mês, mas os cientistas têm feito saber que os efeitos de aquecimento gerado pelo fenómeno meteorológico El Niño no ano passado podem resultar num evento global de descoloração muito severo.
Terry Hughes contraria esta abordagem. De acordo com o coordenador da NCBT, os eventos de descoloração têm sido relacionados com os sucessivos El Niño, que ocorrem geralmente em períodos de quatro a seis anos, mas a verdade é que "só a partir de 1998 é que um [El Niño] provocou um evento de descoloração" na Grande Barreira de Coral.
"Ou seja, o problema é o aquecimento global", afirmou à AFP, sublinhando que a ligação entre a temperatura da água e a severidade da descoloração é clara.
Degradação põe em causa a vida de todo o planeta
Andrew Baird, do Centro de Estudos do Coral da James Cook University, disse também à agência France-Presse ter ficado surpreendido com a escala e a severidade do evento deste ano neste organismo vivo, decisivo para a saúde da vida - em termos gerais, não apenas marinha - em todo planeta, e que é uma das maiores atrações turísticas australianas e está classificado como património mundial.
"Há algum tempo que estávamos à espera de um evento em grande escala e parece que ele está aí", afirmou.
Como a descoloração do coral foi menos severa nas regiões do sul da Austrália, de acordo com este especialista, "uma grande parte do recife vai recuperar". "Mas o recife que foi afetado de forma mais severa – entre um terço e metade – vai demorar algum tempo a regenerar-se", acrescentou.
"Agora, a grande questão é quantos destes grandes eventos podemos aguentar? Eu penso que não podemos aguentar muitos mais", concluiu o especialista.
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