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Correio da Manhã

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DESMANTELADO NOVO ARSENAL DA ETA

A Polícia francesa anunciou ontem a descoberta de mais dois depósitos de armas da organização separatista basca ETA em duas localidades do País basco francês.
19 de Outubro de 2004 às 00:00
Um vasto arsenal foi descoberto nos esconderijos, localizados em Saint-Pierre de Irube e em Urrugne, junto de algumas das casas onde no início do mês foram capturados 23 ‘etarras’, entre eles o líder máximo da organização, Mikel Albisu, ou ‘Antza’, e a sua companheira, Soledad Iparragirre, ou ‘Amboto’.
O vasto arsenal apresado inclui 30 morteiros e 48 foguetes capazes de atravessar a blindagem da maioria dos veículos militares, para além de 25 quilos de explosivos e dezenas de armas de guerra ligeiras e milhares de munições.
Esta nova descoberta, feita graças à cooperação entre a Polícia espanhola e a francesa, enfraquece mais ainda a ETA, reforçando a ideia reiterada este domingo pelo primeiro-ministro José Luis Rodríguez Zapatero de que o fim do terrorismo basco espanhol “está mais próximo”.
Em entrevista ao jornal ‘El País’, Zapatero reconhece, no entanto, que “apesar de estar mais fraca, é preciso ter cuidado”, pois a ETA mostrou ao longo dos seus 30 anos de luta “uma capacidade evidente de gerar terror e assassinar”.
Os chefes de cozinha e empresários bascos Juan María Arzak e Pedro Subijana, acusados de financiar a ETA por terem cedido à chantagem e terem pago pelo menos 36 mil euros de “imposto revolucionário”, prestaram ontem declarações em tribunal. Após cerca de 40 minutos de declarações, os “chefes” saíram do tribunal sem que o juiz Fernando Andreu tenha adoptado contra eles qualquer medida cautelar.
As acusações aos chefes de cozinha foram permitidas pelas declarações do ‘etarra’ capturado José Luís Boetegi, que integrava o aparelho de extorsões da ETA, dirigido, até à sua captura, por ‘Amboto’. As autoridades estimam que a extorsão de dinheiro a empresários, profissionais liberais e grandes cadeias comerciais rendia à organização cerca de 15 milhões de euros por ano.
Entretanto, naquele que é um dos últimos episódios conhecidos dos mecanismos de chantagem e terror da ETA, o jornal ‘El Mundo’ divulgou uma carta enviada a um dos seus jornalistas na qual lhe é comunicado que, por chamar terroristas aos ‘etarras’ e defender o fim da violência, o seu nome foi incluído na lista dos homens a abater.
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