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Destruição da floresta da Amazónia bate novo recorde

Bolsonaro demite chefe de monitorização da desflorestação três dias após publicação dos dados do mês de junho.

15 de julho de 2020 às 08:24

Repetindo o que já se tornou uma rotina de retaliações, o presidente brasileiro Jair Bolsonaro demitiu sumariamente a responsável pela monitorização da desflorestação da Amazónia, Lubia Vinhas, após a divulgação de um novo recorde de destruição da floresta. A demissão, de que ela só soube pela imprensa, ocorreu três dias após a divulgação dos números negativos.

Os dados mostram que no mês passado a Amazónia perdeu mais 1034,4 km2 de floresta, um aumento de 10,57% em relação ao mesmo mês de 2019, e que nos primeiros seis meses de 2020 a perda de área verde registou um aumento de 25%. Foi o 14º mês consecutivo de aumento de destruição na Amazónia em 18 meses de governo Bolsonaro.

Lubia, que era a coordenadora-geral do departamento do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) que monitoriza a destruição na Amazónia, não foi a primeira a perder o cargo após divulgar dados de que o governo não gostou. Em agosto do ano passado, o então diretor-geral do INPE, Ricardo Galvão, cientista de renome internacional, foi demitido da mesma forma depois de o instituto mostrar que a desflorestação da Amazónia já nessa altura batia recordes, e, como Bolsonaro costuma fazer quando um gestor lhe desagrada, foi substituído por um militar.

Em abril passado, outros dois profissionais ligados à questão ambiental e ao combate aos crimes contra a Amazónia também foram demitidos. René Luiz de Oliveira, coordenador-geral de fiscalização do Ibama, o órgão responsável pelo combate a crimes ambientais, e Hugo Ferreira Loss, coordenador de operações do mesmo órgão, foram exonerados depois de terem comandado operações que expulsaram garimpeiros e madeireiros que tinham invadido terras indígenas no interior do estado do Pará.

Em 2019, primeiro ano de governo de Jair Bolsonaro, quando o Brasil foi manchete no Mundo inteiro devido à violenta vaga de queimadas na Amazónia, o número de multas por crimes ambientais caiu 34%, sendo o menor em 24 anos.

Incumbido por Bolsonaro de formar o novo Conselho da Amazónia, o vice-presidente brasileiro, general Hamilton Mourão, nomeou para a entidade outros 19 militares e deixou de fora representantes da sociedade civil, dos povos indígenas e órgãos de fiscalização.

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