Cerca de 90% dos novos casos anuais concentram-se em trinta países de alta incidência, entre os quais Angola e Moçambique.
A interrupção dos cuidados de saúde para dar prioridade à pandemia está a pôr em risco o combate à tuberculose, que em 2019 matou cerca de 1,4 milhões de pessoas, alertou hoje a Organização Mundial de Saúde (OMS).
No seu relatório anual sobre a tuberculose, a OMS salienta que muitos países estavam a conseguir reduzir a incidência daquela doença infecciosa, mas que "recursos humanos e financeiros foram deslocados da tuberculose para a resposta à covid-19".
"O número global de mortes por tuberculose pode aumentar em 200 mil a 400 mil só este ano", alerta a organização, bastando que haja uma queda de 25% a 30% no número de pessoas tratadas e diagnosticadas durante um período de três meses, o que já acontece em alguns dos países mais afetados em todo o mundo.
"Continua a ser um desafio o acesso equitativo a diagnósticos atempados e de qualidade, à prevenção, tratamento e cuidado", afirmou o secretário-geral daquela agência das Nações Unidas, Tedros Ghebreyesus.
"Cerca de 1,4 milhões de pessoas morreram de doença relacionada com a tuberculose em 2019", aponta a OMS, que estima que três milhões dos 10 milhões de novos casos não tenham sido diagnosticados.
Antes da pandemia, havia "progresso sustentado" no combate à tuberculose, indica a organização: entre 2015 e 2019 conseguiu-se reduzir a incidência da doença em 09 por cento e o número de mortes diminuiu 14%.
No entanto, agora verifica-se que "as metas globais de prevenção e tratamento ficarão provavelmente por cumprir se não houver investimentos e ações urgentes".
A última meta é acabar com a doença a nível global em 2030.
Este ano, "o investimento em prevenção, diagnóstico e tratamento atingiu 6,5 mil milhões de dólares, apenas metade dos 13 mil milhões acordados pelos líderes mundiais na declaração política da ONU sobre tuberculose", aponta a organização.
Um dos efeitos mais negativos foi no combate à tuberculose resistente à medicação, com "465 mil novos diagnósticos em 2019, menos de 40% dos quais com acesso a tratamento", indica a OMS.
Os 14 milhões de pessoas que receberam tratamento entre 2018 e 2019 são apenas um terço da meta de 40 milhões definida até 2022.
Por outro lado, as 6,3 milhões de pessoas que começaram a ser tratadas entre 2018 e 2019 são apenas um quinto da meta quinquenal de 30 milhões.
Em três dos países com mais incidência de tuberculose -- Índia, Indonésia, Filipinas --, no primeiro semestre do ano houve uma redução de 25 a 30% no número de casos reportados, o que indicia um impacto nos sistemas de recolha de informação.
A OMS considera que "a expansão do uso de tecnologias digitais" no aconselhamento e apoio aos doentes é uma medida positiva para mitigar as dificuldades.
"Para reduzir a necessidade de deslocações a estabelecimentos de saúde, muitos países estão a encorajar tratamentos domiciliários, assentes em medicação oral, tratamentos preventivos e a garantir o fornecimento adequado de medicamentos para a tuberculose", indica.
A tuberculose é uma das dez principais causas de morte em todo o mundo e é a principal doença mortal provocada por um agente infeccioso único.
No entanto, 85% dos casos são tratáveis com um programa de medicação distribuída ao longo de seis meses.
Estima-se que um quatro da população mundial esteja infetada com o bacilo que provoca a doença, que afeta principalmente os pulmões mas pode atacar outros órgãos.
Cerca de 90 por cento dos novos casos anuais concentram-se em trinta países de alta incidência, entre os quais Angola e Moçambique.
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