Barra Cofina

Correio da Manhã

Mundo

Detetados pela primeira vez indícios de planeta gigante em torno de estrela anã branca

Planeta, do tipo Neptuno e que estará a evaporar-se, revela uma órbita próxima da estrela "WDJ0914+1914".
Lusa 4 de Dezembro de 2019 às 18:11
Aspecto dos planetas em volta do sol
Aspecto dos planetas em volta do sol FOTO: Direitos Reservados
Astrónomos encontraram pela primeira vez vestígios de um planeta gigante em torno de uma estrela anã branca, uma descoberta que poderá dar pistas sobre o futuro do Sistema Solar, divulgou esta quarta-feira o Observatório Europeu do Sul (OES) em comunicado.

O planeta, do tipo Neptuno e que estará a evaporar-se, revela uma órbita próxima da estrela "WDJ0914+1914", o remanescente de uma estrela como o Sol. A maioria das estrelas, incluindo o Sol, irá acabar possivelmente como anãs brancas.

"Este sistema único dá-nos pistas de como poderá ser o nosso próprio Sistema Solar num futuro distante", realça o OES, que opera o telescópio VLT, com que foram feitas as observações, a partir do Chile.

Estrelas como o Sol queimam hidrogénio no seu núcleo durante a maior parte do seu ciclo de vida. Quando já não têm mais gás para queimar, crescem e transformam-se em gigantes vermelhas, "engolindo" os planetas que lhe estão mais próximos (no caso do Sistema Solar será Mercúrio, Vénus e Terra, dentro de cerca de cinco mil milhões de anos). 

As gigantes vermelhas degeneram no final em anãs brancas (o que resta de uma estrela), que podem acolher planetas.

Contudo, segundo o OES, organização astronómica internacional da qual Portugal faz parte, é a primeira vez que os cientistas detetam indícios de um planeta gigante sobrevivente a orbitar uma estrela deste tipo.

O planeta é gelado e é pelo menos duas vezes maior do que a anã branca "WDJ0914+1914", localizada a cerca de 1.500 anos-luz da Terra, na constelação do Caranguejo.

A estrela, extremamente quente (cinco vezes mais quente do que o Sol), tem um disco de gás em redor, formado por hidrogénio, oxigénio e enxofre em quantidades semelhantes às detetadas "nas camadas atmosféricas profundas de planetas gigantes gelados, como Neptuno e Urano".

De acordo com o OES, a "localização invulgar do planeta sugere que, a determinada altura, após a estrela se ter transformado em anã branca, o planeta se deslocou para mais perto desta".

Os astrónomos sugerem que "esta nova órbita poderá ter sido o resultado de interações gravitacionais com outros planetas no sistema, o que significa que mais do que um planeta pode ter sobrevivido à violenta transição da sua estrela hospedeira".

Os resultados da investigação foram publicados esta quarta-feira na revista científica Nature.

Sistema Solar OES Observatório Europeu do Sul Sol ciência e tecnologia
Ver comentários
Newsletter Diária Resumo das principais notícias do dia, de Portugal e do Mundo. (Enviada diariamente, às 9h e às 18h)