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Correio da Manhã

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Detido egípcio com ligações aos atentados de Londres

O egípcio Magdi El-Nashar, um químico de 33 anos, foi detido, esta sexta-feira, no Cairo por suspeitas de ligação aos atentados de 7 de Julho em Londres. O indivíduo, entretanto interrogado por agentes britânicos nega o seu envolvimento no caso.
15 de Julho de 2005 às 19:12
De acordo com a estação de televisão norte-americana ABC, o detido é o alegado responsável pela produção das bombas utilizadas nos atentados da passada quinta-feira em três tasções de Metro e num autocarro, em Londres, que causaram 54 mortes e cerca de 700 feridos.
Segundo os meios de comunicação social britânicos, o "químico" era professor assistente na Universidade de Leeds, no norte de Inglaterra e onde viviam três dos quatro presumíveis terroristas que perpetraram os ataques de Londres.
Magdi El-Nashar, que terá desaparecido da sua casa alguns dias antes dos atentados, desmente as suspeitas que recaem sobre si.
Segundo um responsável egípcio, citado pela estação de televisão britânica Sky News, durante o interrogatório, o suspeito afirmou que viajou para o Egipto de férias, e que pretendia regressar ao Reino Unido para continuar os seus estudos na Universidade de Leeds.
A Scotland Yard emitiu um comunicado relativo à detenção, admitindo que "está ao corrente de uma detenção no Cairo", mas não vai revelar quem vai ser interrogado no âmbito desta investigação.
CLÉRIGOS RADICAIS NÃO ENTRAM
O governo do primeiro-ministro Tony Blair preparou um projecto de lei que visa impedir a entrada no Reino Unido de clérigos islamitas radicais. Assim, todos os islamitas que estão proibidos de entrar nos EUA passarão a ver encerradas as portas do Reino Unido para evitar que corrompam jovens muçulmanos com as suas mensagens de ódio.
O projecto de lei, que será apresentado no Parlamento com carácter de urgência, afectará intelectuais islâmicos como Tariq Ramadan, que foi convidado a dar aulas na Universidade de Notre Dame, nos EUA, mas proibido de entrar naquele país, e Zaki Badawi, presidente do Conselho Britânico das Mesquitas, que tem título honorífico britânico e não pode entrar nos EUA.
Os atentados de Londres estão a mobilizar os clérigos moderados, que mudam a sua mensagem. Hoje, um imã dos Emiratos Árabes Unidos considerou ‘infiés, todos os muçulmanos que participem em ataques contra inocentes.
DIREITOS PREOCUPAM OSCE
A Organização para a Segurança e Cooperação Europeia (OSCE) alertou esta sexta-feira, no decurso de uma reunião em Viena, que os Direitos Humanos não podem ser sacrificados na luta contra o terror.
“Pela primeira vez desde a II Guerra, o consenso em torno da tortura parece estar a enfraquecer quando se fala em terrorismo”, avisou Christian Strohal, responsável do Gabinete para as Instituições Democráticas e Direitos Humanos da OSCE, adiantando que a resposta dada pelo governo e a opinião pública em Londres foi clara e positiva: os actos terroristas não podem minar os valores de uma sociedade democrática.
Para Strohal, o ‘terrorismo é, em si, uma negação terrível de praticamente todos os direitos humanos e, por isso, não deveríamos dar aos terroristas a satisfação de estarem a conseguir impor os seus valores’.
INVESTIGAÇÃO
AUTORES MATERIAIS
Os responsáveis directos dos ataques foram: Mohammed Sidique Khan, de 30 anos, casado e pai de uma menina, Shehzad Tanweer, de 22 anos, Hasib Hussain, de 18 anos e Lindsey Germail. São todos britânicos. Os três primeiros de origem paquistanesa e o último de ascendência jamaicana.
O SUPOSTO 'CÉREBRO’
A polícia britânica já identificou o ‘cérebro’ dos atentados. Trata-se de um cidadão britânico de origem paquistanesa, vinculado à al-Qaeda e que chegou ao Reino Unido por via marítima no mês passado. Deixou o país um dia antes dos ataques.
CÉLULA DE LEEDS
Beeston foi o ponto de partida do massacre. Foi nesta cidade que se conheceram quase todos os suicidas e foram preparado os ataques. Mohammed Khan conquistava a confiança de jovens muçulmanos jogando futebol com eles e depois radicalizava-os.
BOMBAS ARTESANAIS
Os explosivos hoje encontrados são de fabrico caseiro, semelhantes aos usados pela al-Qaeda. Trata-se de peróxido de acetona, o mesmo tipo de material que o britânico Richard Reid tinha num dos sapatos quando tentou fazer explodir um avião em 2001.
DETENÇÕES
Na passada terça-feira a polícia deteve um indivíduo de 29 anos. Hoje, foi detido o químico egípcio Magdi al-Nashar, de 33 anos, que se diz inocente.
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