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Correio da Manhã

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Detidos etarras que mataram guardas

Quatro dias depois de dois agentes da Guardia Civil espanhola terem sido baleados em Capbreton (França), a polícia gaulesa deteve num hotel da localidade de Châteuneuf de Randon (Toulouse) um homem e uma mulher, alegadamente membros da ETA, que terão sido responsáveis pelo ataque.
6 de Dezembro de 2007 às 00:00
Polícias franceses vigiavam os dois etarras em  Toulouse desde terça-feira e fizeram as detenções ontem
Polícias franceses vigiavam os dois etarras em Toulouse desde terça-feira e fizeram as detenções ontem FOTO: Guillaume Horcajuelo, Epa
Os agentes Raúl Centeno e Fernando Trapero foram baleados no sábado quando saíam de um centro comercial presumivelmente por três etarras, que fugiram num Peugeot 307 em que transportavam material explosivo. Após percorrerem cerca de 70 km, os atacantes fizeram parar na estrada um outro Peugeot 307 em que seguiam uma mulher e uma criança, que mantiveram como reféns por algum tempo e acabaram por libertar, pondo-se de novo em fuga. Um dos agentes baleados morreu no local e o outro (Fernando Trapero) sucumbiu ontem aos graves ferimentos.
ROUBAR CARRO
Na segunda-feira, um homem e uma mulher, que poderiam ser os que foram ontem detidos em Toulouse, tentaram roubar uma viatura Golf a cerca de 310 km de Capbreton. Ameaçaram com uma pistola o proprietário, que resistiu, e desistiram do roubo, fugindo num Clio verde.
Desde a tarde de terça-feira que a polícia francesa vigiava a zona de Châteauneuf de Randon após ter recebido telefonemas a informar que andava na zona um casal que falava francês com sotaque espanhol. A detenção dos dois alegados etarras foi feita num hotel e, segundo fontes policiais, estão a ser interrogados. O Ministério espanhol do Interior adiantou em comunicado que o casal estava armado e corresponde à descrição dos indivíduos procurados pelos homicídios dos guardas. Os media franceses asseguravam ontem que os dois detidos tinham consigo uma grande quantia em dinheiro.
Fontes da polícia francesa afirmam que o homem detido em Toulouse poderá ser Asier Bengoa López de Armentia, que já integrou no passado o aparelho de captação da ETA.
O primeiro-ministro espanhol, José Rodríguez Zapatero, que está em Itália, reagiu imediatamente às detenções. “Se se confirmar a identidade dos detidos e a sua responsabilidade nos ataques, todo o peso da lei e da Justiça cairá sobre eles para sempre. E a terceira pessoa que participou na acção criminosa terá o mesmo destino”, assegurou.
SAIBA MAIS
850 pessoas foram mortas pela ETA desde 1968 (número aproximado). A maioria das vítimas foi morta a tiro ou em carros armadilhados.
750 é o número aproximado de etarras detidos desde 2000. Espanha e França intensificaram a cooperação e têm desferido pesados golpes à organização terrorista.
CESSAR-FOGO
A ETA anunciou o fim do cessar-fogo no passado dia 5 de Junho. A 24 de Agosto uma bomba feriu dois polícias em Durango.
APOIOS
Organizações como KAS, Segi o Gestoras Pro Amnistía, Jarrai e Haika foram consideradas pelos tribunais como afectas à ETA.
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