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Correio da Manhã

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Detidos quatro suspeitos do roubo do Códice Calixtino

Quatro pessoas, três delas da mesma família, foram detidas em Santiago de Compostela (Espanha) por suspeita de terem participado, há um ano, no roubo do Códice Calixtino, um livro manuscrito do século 12 e de valor incalculável.
4 de Julho de 2012 às 10:13
Pormenor de uma página do Códice Calixtino
Pormenor de uma página do Códice Calixtino FOTO: D.R.

Segundo as autoridades espanholas, os detidos são o ex-electricista da Catedral de Santiago de Compostela (de onde o livro foi roubado a 5 de Julho do ano passado), a sua mulher e filho e uma outra mulher, cuja identidade não foi ainda revelada. Até ao momento, o detido "não está a colaborar" com as investigações e o Códice Calixtino ainda não foi recuperado, disseram as autoridades. 

Fontes policiais confirmaram que o electricista foi detido na manhã de terça-feira e que a sua mulher e filho foram presos durante a tarde, tendo-se realizado buscas em várias propriedades da família, nas cidades de Corunha, Santiago de Compostela e Pontevedra. 

Nas buscas foram encontradas moedas e "vestígios provenientes da Catedral", bem como uma "elevadíssima quantidade de dinheiro", não revelada. O principal suspeito do crime tinha sido despedido da catedral e era, há vários meses, apontado como um dos possíveis responsáveis pelo roubo do Códice. A quarta detenção, de uma mulher, ocorreu hoje de manhã, segundo confirmaram as autoridades, que não descartam que possa haver mais detenções ou mais rusgas. 

O texto estava normalmente guardado na câmara blindada do arquivo da catedral, de onde foi retirado para ser mostrado pela última vez cerca de dois meses antes de ser roubado.

O Códice é o mais antigo e conhecido guia para peregrinos do caminho de Santiago e é composto por cinco livros e dois apêndices, encadernados desde 1964 num único volume. Criado para promover a devoção ao apóstolo Santiago, o Códice inclui informação e conselhos para os peregrinos, como possíveis alojamentos, descrições das várias rotas, das obras de arte e patrimoniais que se podem visitar.

Nos últimos anos foram reforçadas as medidas de segurança para proteger o Códice, que estava guardado numa zona dotada com um sistema de alarmes, mas que não controla todos os movimentos.

Especialistas destacaram estaq quarta-feira o valor histórico do Códice, que é considerado uma das jóias do património cultural da Galiza.

Carlos Villanueva, catedrático da Universidade de Santiago de Compostela e estudioso destas obras afirmou que o livro é de um "valor imenso", difícil de estabelecer, se algum dia a obra fosse leiloada.

Villanueva considera que o livro é possivelmente o original (ou pelo menos o melhor dos exemplares) do Codex Calixtinus, o primeiro guia do Caminho de Santiago, que foi encomendado pelo papa Calixto II ao sacerdote francês Aymeric Picaud.

Um relato que, nove séculos depois, continua ainda hoje a ser citado e serve de referência para alguns dos locais percorridos pelos peregrinos.

 

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