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Correio da Manhã

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DEZENAS DE PETROLÍFERAS COBIÇAM CRUDE IRAQUIANO

A corrida ao petróleo iraquiano já começou. Desde o final da Guerra do Golfo que dezenas de empresas petrolíferas europeias e asiáticas aguardam pelo fim da sanções internacionais para entrar no lucrativo mercado iraquiano, mas a sua posição encontra-se agora ameaçada pela entrada das petrolíferas americanas na corrida.
25 de Fevereiro de 2003 às 00:00
Nos últimos oito anos, pelo menos 24 petrolíferas, na sua maioria europeias e asiáticas, mantiveram contactos com o regime iraquiano, “marcando o terreno” para garantir a exploração das jazidas petrolíferas iraquianas após o levantamento das sanções e firmando contratos com vista à exploração de determinadas áreas (ver gráfico). Os americanos mantiveram-se à parte, mas a recente crise iraquiana veio reavivar o interesse – como é óbvio, após uma intervenção militar americana para derrubar Saddam Hussein, seriam as empresas americanas a principais privilegiadas na altura da distribuição dos despojos. Empresas como a TotalFina (França) e a Lukoil (Rússia) podem, assim, ver esfumar-se o resultado de anos de trabalho.

A competição promete ser feroz, mas o “prémio” é certamente apetecível. Como lembrou recentemente o antigo ministro iraquiano do petróleo, Issam al-Chalabi, das 526 jazidas petrolíferas identificadas no Iraque, apenas 125 estão a ser exploradas, ou seja, pouco mais de 20 por cento do total. O mesmo responsável frisa ainda que o crude iraquiano é de elevada qualidade e, como tal, os custos de extracção são reduzidos – pouco mais de um dólar por barril.

Al-Chalabi cauciona, no entanto, que será necessário um grande investimento, e que o esforço das petrolíferas não será imediatamente recompensado o mundo não deve, por isso, esperar um “boom” do mercado petrolífero nos primeiros anos. Segundo aquele responsável, a indústria petrolífera iraquiana precisa de pelo menos dois anos e um investimento de três mil milhões de dólares para modernizar o sector e recuperar os níveis de produção anteriores à Guerra do Golfo, que eram na ordem dos 3,5 milhões de barris diários.

O investimento será, no entanto, recompensado a médio prazo. Al-Chalabi estima que, até 2010, a produção petrolífera iraquiana possa chegar aos seis milhões de barris diários e, a médio prazo, atingir os oito milhões.
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