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Correio da Manhã

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DIFERENTES EM QUASE TUDO

São gémeas, estão unidas pela cabeça, mas têm personalidades bem distintas. Depois de 29 anos a partilharem cada instante das suas vidas, aquilo que mais desejam é poder seguir caminhos separados.
8 de Julho de 2003 às 00:00
Os médicos que operam as gémeas estão cautelosamente optimistas
Os médicos que operam as gémeas estão cautelosamente optimistas FOTO: Raffles Hospital (AFP)
“Desde o dia em que abrimos os olhos que desejamos ser duas pessoas separadas”. A afirmação reflecte bem aquele que é o maior sonho de Laleh e Ladan Bijani, as duas irmãos siamesas unidas pelo crânio que estão desde domingo a ser separadas por uma equipa de mais de 120 médicos e assistentes no hospital Raffles de Singapura: poderem finalmente olhar-se nos olhos.
As gémeas iranianas não se cansam de repetir que têm sonhos e personalidades distintos, e para os realizarem estão dispostas a arriscar a vida numa operação inédita na história da Medicina. Ambas estudaram Direito, mas pretendem seguir caminhos diferentes: Ladan quer ser advogada na sua cidade-natal, Shiraz, Laleh quer ser jornalista em Teerão.
“Somos os oposto uma da outra”, afirmam. Laleh é tímida e recatada, gosta de animais, “puzzles” e jogos de computador. Ladan é mais activa e extrovertida, gosta de cozinhar e estudar, principalmente Informática. Personalidades distintas que as fazem querer seguir caminhos separados.
O seu sonho e a sua coragem conquistaram a admiração de milhares de pessoas em todo o Mundo, que nas últimas semanas inundaram o hospital Raffles de mensagens de encorajamento e esperança. Algumas dezenas de pessoas estão mesmo reunidas numa vigília de oração desde que teve início a operação.
Antes de entrarem para a sala de operações, as duas irmãs fizeram questão de divulgar uma mensagem de agradecimento a todos aqueles que as encorajaram neste momento difícil. “Obrigado pelos vossos votos de felicidades e pensamentos carinhosos. Os vosso gestos de solidariedade trouxeram-nos muito conforto. Por favor, rezem por nós e pelo sucesso da nossa operação”, escreveram as gémeas, que esperam poder em breve começar as suas “novas e maravilhosas vidas”.
COMPLICAÇÕES NÃO DESANIMAM
Uma das fases mais críticas da operação de separação das gémeas iranianas foi ontem à tarde completada com êxito, depois de os médicos terem dividido a veia que irrigava os cérebros de ambas. Num procedimento arriscado que durou mais de dez horas, os neurocirurgiões implantaram uma veia retirada da coxa de uma das gémeas para criar um novo vaso sanguíneo, fazendo depois um “by-pass” da antiga para a nova veia. Os médicos depararam, durante a operação, com alguns problemas para manter estável a pressão sanguínea das gémeas, mas asseguraram que a cirurgia, que vai durar mais seis horas que o previsto, “está a correr bem”.
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