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Dilma é confirmada candidata e promete estabilidade

O Partido dos Trabalhadores (PT, de Lula), confirmou este sábado a ministra Dilma Rousseff como candidata governamental à sucessão presidencial nas eleições deste ano, que vão acontecer em Outubro.
20 de Fevereiro de 2010 às 18:41
Discurso de Dilma durou 58 minutos
Discurso de Dilma durou 58 minutos FOTO: Arquivo CM

A confirmação decorreu por aclamação simbólica, com o novo presidente do partido, José Eduardo Dutra, aliado de Dilma, a pedir aos delegados presentes àquela hora para levantarem o braço. Depois, Dutra declarou Dilma, que era a única candidata da base aliada à sucessão de Lula, confirmada por unanimidade.

Após a confirmação, a ministra, que costuma usar um tom agressivo e assumir posições radicais, utilizou uma inesperada moderação no seu primeiro discurso oficial como candidata do partido, que durou 58 minutos. Ela fez uma exaustiva evocação do que considera as grandes conquistas e avanços promovidos pelo governo Lula da Silva desde 2003, e prometeu dar continuidade a essas obras de mudança do Brasil.

Dilma reiterou várias vezes que não vai tomar medidas radicais nem alterar a actual política económica. Segundo ela, o seu governo vai respeitar o tripé que dá sustentação a essa política, ou seja, compromisso com metas inflaccionárias, manutenção da flutuação do câmbio e continuação da responsabilidade fiscal.

Apesar dessas promessas de manutenção da política actual, seguida por Lula da Silva desde que assumiu o poder em 2003, a ministra defende claramente uma guinada à esquerda. Ela é adepta de uma presença mais forte do estado em todas as áreas, e considera que o crescimento não faz sentido se não for acompanhado de um forte desenvolvimento social.

GUINADA À ESQUERDA

Em contraponto à súbita moderação da ministra, No último dia de trabalhos efectivos, sexta-feira, o IV Congresso do PT aprovou medidas bem mais radicais, que vão ser incluídas no programa de governo de Dilma e que, se forem realmente implementadas, significarão uma radicalização do governo à esquerda, uma possibilidade que já está a assustar empresários, donos de terra, jornalistas e investidores estrangeiros.

Entre as medidas aprovadas pelos delegados e que, a partir de agora, fazem parte do programa do partido e de Dilma, estão a criação de órgãos de controlo externo da imprensa, medida que Lula tentou tomar várias vezes e em todas foi derrotado no Congresso Nacional, e um forte aumento na tributação do lucro e das grandes fortunas.

Outras duas medidas polémicas são a redução da jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, que tem uma firme oposição de todo o empresariado e até de sindicatos moderados, e a mudança da legislação para dificultar a acção da justiça na devolução aos seus legítimos proprietários de terras invadidas.

LULA APELA

No seu discurso de apresentação de Dilma e de apelo ao voto na ministra, Lula da Silva não lhe poupou elogios e afirmou que nenhuma outra pessoa no Brasil está tão bem preparada quanto ela para dar continuidade às obras que ele encetou. Declarando que eleger Dilma presidente é a maior prioridade da sua vida neste momento, Lula considerou como grandes virtudes as características normalmente apontadas como defeitos da ministra, como a sua dureza e rigor.

O presidente afirmou que ela vai precisar disso para fazer o que vaticinou ir ser um governo extraordinário.

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