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Correio da Manhã

Mundo

Dilma promete diálogo e reformas

Prioridade da presidente é voltar a unir o país após uma das campanhas mais divididas de sempre.
Domingos Grilo Serrinha e correspondente no Brasil 28 de Outubro de 2014 às 08:44
Vitória curta não impediu Dilma de festejar com os seus apoiantes FOTO: Reuters

Tentando enterrar a crispação que marcou a campanha eleitoral e dividiu o eleitorado, a presidente brasileira Dilma Rousseff pediu no domingo, no seu primeiro discurso após vencer a segunda volta das presidenciais, a união de todos os brasileiros "sem exceção" pela melhoria do país. Para isso, a candidata do PT prometeu mudanças, afirmou-se aberta ao diálogo com todos os setores e rejeitou que as eleições tivessem dividido o Brasil.

"Não acredito que estas eleições tenham dividido o país ao meio. Entendo que mobilizaram ideias e emoções, às vezes contraditórias, mas todas movidas pelo sentimento comum de querer um futuro melhor para o país", afirmou Dilma, reiterando a sua disposição ao diálogo: "Esta presidente está disposta ao diálogo, e este é o meu primeiro compromisso do segundo mandato", garantiu.

Dilma adiantou ainda que no próximo mandato implementará as mudanças que os brasileiros mostraram desejar e que, como primeira medida, vai propor um plebiscito sobre uma profunda reforma política que acabe, entre outros, com o financiamento privado das campanhas, que considerou um foco de corrupção. E minimizou o facto de ter vencido por margem reduzida, referindo que na história há exemplos de que uma vitória por pequena margem "pode produzir grandes mudanças".

Um dos principais desafios de Dilma será reconquistar a confiança dos mercados. Ontem, a Bolsa de Valores de São Paulo caiu cinco por cento, com os mercados a desconfiarem da capacidade da presidente para recuperar uma economia em desaceleração.

Já o candidato do PSDB, Aécio Neves, derrotado por pouco mais de 3% dos votos, telefonou a Dilma assim que a vitória da presidente foi confirmada, no domingo à noite, e pediu-lhe para se empenhar na união do país. "Cumprimentei há pouco a presidente reeleita, desejei-lhe sucesso na condução do seu próximo governo e ressalvei que considero que a maior de todas as prioridades deve ser unir o Brasil num projeto honrado que dignifique a todos", afirmou Aécio Neves em Belo Horizonte, usando em seguida uma frase de São Paulo para sintetizar o seu desempenho na eleição: "Combati o bom combate, cumpri a minha missão e guardei a fé." Há quem diga que Aécio, reforçado pela forte votação, já está a preparar o terreno para 2018.

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