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Correio da Manhã

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Dinheiro de Saddam seguido até Moscovo

A Subcomissão Permanente de Investigações do Senado dos Estados Unidos da América apresentou provas, esta segunda-feira, que permitem estabelecer uma rota de dinheiro de Saddam Hussein até Moscovo, mais propiamente até ao chefe de gabinete de dois presidentes.
16 de Maio de 2005 às 15:28
O dinheiro distribuído pelo regime iraquiano de Saddam Hussein - que transitou sob a forma de concessões encobertas para negociar quantidades de barris de petróleo - servia como "compensação por apoio" dado aos interesses iraquianos, sobretudo, na ONU, confirmou já o antigo vice-presidente iraquiano, Taha Yasin Ramadan.
O 'Programa Petróleo por Alimentos', a excepção humanitária que, de 1996 a 2003, permitiu ao regime de Saddam Hussein vender petróleo para comprar bens de primeira necessidade (tudo sob supervisão internacional), parece que acabou por servir ao ditador iraquiano como campo estratégico onde pôs em jogo, de forma encoberta, subornos políticos. Não só terá desviado para si cerca de 8 mil milhões de dólares, como terá concedido favores no valor de cerca de 3 mil milhões de dólares. Tudo isto num programa que, oficialmente, não movimentou mais de 65 mil milhões de dólares.
As concessões encobertas dadas a altos funcionários russos já haviam sido denunciadas pelo antigo inspector de armas Charles Duelfer, num relatório da CIA que, em Outubro passado, desencadeou um efeito dominó de teoria da conspiração. A própria ONU está a conduzir uma investigação própria. O Senado dos EUA também.
Esta segunda-feira, o Senado norte-americano voltou a insistir na rota de favores entre Bagdad e Moscovo, mas apresentou mais provas de concessões de venda de petróleo autorizadas em nome de Alexander Voloshin, antigo chefe de gabinete dos presidentes Boris Ieltsin e Vladimir Putin. Não há, no entanto, qualquer prova que permita apurar que o próprio Putin (actual presidente) tivesse qualquer conhecimento do 'esquema'.
O que o Senado apurou foi que Voloshin, por via directa ou através do seu assessor Sergei Isakov, recebeu de Bagdad autorização de venda de barris de petróleo subavaliados em 3 milhões de ólares, para um lucro de 5,6 milhões de dólares.
Em Washington foi também revelado que o controverso político russo Zhirinovsky e o seu partido liberal democrata receberam direitos de venda de 75,8 milhões de barris de petróleo, entre Junho de 1997 e Dezembro de 2002, alcançando um lucro provável de 8,679 milhões de dólares.
Todos os visados negam qualquer envolvimento nos esquemas de tráfico de influências que lhes são atribuídos. As autoridades russas assumiram a posição de aguardar pelo resultado das investigações que estão a ser conduzidas pela própria ONU.
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