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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Diplomacia brasileira vai aos EUA discutir tarifas impostas por Trump

Anúncio surge depois de conversa telefónica entre o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, com o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

09 de outubro de 2025 às 17:47

A diplomacia brasileira acordou esta quinta-feira com os Estados Unidos a realização de uma reunião em Washington, para "dar seguimento" às negociações comerciais, anunciou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

Este anúncio surge depois de uma conversa telefónica entre o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, com o Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

"Após diálogo muito positivo sobre a agenda bilateral, acordaram que equipes de ambos os Governos manterão reunião proximamente em Washington, em data a ser definida, para dar seguimento ao tratamento das questões económico-sociais entre os dois países, conforme definido pelos Presidentes", lê-se no comunicado da diplomacia brasileira.

A reunião entre ambos os Governos na capital norte-americana servirá para abordar as tarifas de 50% aplicadas pelos Estados Unidos a parte dos produtos brasileiros, mas também sobre a retirada das sanções impostas a membros do poder executivo e judicial do Brasil.

Na mesma nota, a diplomacia brasileira acrescentou que Marco Rubio convidou Mauro Vieira para integrar a delegação que ainda não tem data definida para se deslocar a Washington.

Na semana passada, durante a conversa telefónica, o Presidente brasileiro pediu a Donald Tump a retirada das tarifas aplicadas a produtos brasileiros e as sanções a autoridades brasileiras.

Nessa ocasião, ambos os líderes acordaram encontrar-se pessoalmente em breve, com Lula da Silva a mostrar-se disponível para viajar até aos Estados Unidos.

Hoje, em entrevista à Rádio Piatã, Lula da Silva recordou a conversa entre os dois.

"Ele me ligou da forma mais gentil que um ser humano pode ligar para o outro. Eu tratando de forma civilizada e ele de forma civilizada", disse.

"Fiquei surpreso com o resultado da conversa porque era uma coisa que parecia que não ia acontecer, parecia impossível", acrescentou o chefe de Estado brasileiro.

Os Estados Unidos e o Brasil vivem uma crise diplomática sem precedente desencadeada, numa primeira fase, pela presidência brasileira nos BRICS (grupo de economias emergentes), mas, principalmente, pelo processo que levou à condenação a 27 anos e três meses de prisão do ex-Presidente brasileiro Jair Bolsonaro, aliado político de Donald Trump.

Donald Trump, que vê o julgamento como uma "caça às bruxas" contra Jair Bolsonaro, já foi avisado várias vezes por Lula da Silva de que a soberania brasileira não está na mesa de discussões entre os dois países.

Para além das tarifas, os Estados Unidos restringiram os vistos a várias autoridades políticas e judiciárias do Brasil, como os juízes do Supremo Tribunal Federal, e impuseram a Lei Magnitsky ao juiz Alexandre de Moraes, relator do processo contra Jair Bolsonaro.

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