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Correio da Manhã

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Direita ganha com baixa

A hipótese da maior maioria de sempre da Direita na Assembleia Nacional francesa não se concretizou. E mesmo apontando os resultados da 2.º volta das legislativas para uma confortável maioria de 311 a 320 deputados do UMP, de Nicolas Sarkozy, mais 20 a 22 eleitos pelos aliados do novo centro, o governo sofreu nas urnas a primeira baixa.
18 de Junho de 2007 às 00:00
O primeiro-ministro François Fillon, que fora eleito logo à 1.ª volta, disse ontem que 'o tempo das eleições acabou e a acção vai começar'
O primeiro-ministro François Fillon, que fora eleito logo à 1.ª volta, disse ontem que 'o tempo das eleições acabou e a acção vai começar' FOTO: Luc Skeudener / Epa
O ministro de Estado e da Ecologia, Alain Juppé, falhou a tentativa de recuperar o seu antigo lugar de deputado pela Gironde e apresenta esta manhã a demissão.
Do governo de François Fillon apenas quatro ministros tiveram de disputar a 2.ª volta. Juppé, antigo primeiro-ministro de Chirac de 1995 a 1997, foi o único a perder. Ficou nos 49,07% contra 50,93% da socialista Michèle Delaunay.
Ainda antes de conhecer este amargo de boca, Fillon falou, meia hora após o fecho das urnas, numa “escolha clara que permite ao presidente da República avançar com o seu projecto”. As projecções mostram, porém, que a UMP de 2007 ficou aquém dos 359 deputados eleitos pela maioria de Chirac de 2002.
Forte pela sua reeleição com 60,3% dos votos na Corrèze, o líder socialista François Hollande foi o primeiro a discursar para destacar que “os franceses decidiram emendar a tendência desenhada na primeira volta e que o PS teria, relativamente à anterior legislatura, mais 25% de deputados. A noite revelar-se-ia porém madrasta, já que Ségolène anunciou pouco depois o fim da união de facto que os ligava (ver caixa).
O PS pôde de qualquer modo festejar uma subida notável de 149 para mais de 210 a 212 eleitos, enquanto os comunistas, com 17 ou 18, perderam o grupo parlamentar, que exige 20 deputados.
Em baixo ficou também François Bayrou, que chegara aos sete milhões de votos nas presidenciais e ficou com o seu Movimento Democrático reduzido a um ‘partido de táxi’ com quatro eleitos, muito abaixo dos 20 do novo Centro-direita. Ele próprio teve de contar com apoio da UMP para derrotar uma socialista.
SEGOLÈNE SEPARA-SE DO MARIDO
A candidata socialista às presidenciais, Ségolène Royal, de 53 anos, anunciou ontem à noite que François Hollande, de 52, actual líder do PS, deve deixar de ser referido como “seu companheiro” porque terminou a união de facto que viviam há duas décadas e da qual nasceram quatro filhos. “Eu pedi a François Hollande para deixar a nossa casa, viver a sua vida sentimental, mergulhado entre livros e jornais, e desejei-lhe que seja feliz”, afirmou Ségolène, precisando que tudo se processou em termos civilizados e que os dois “se falam e guardam respeito mútuo”. O anúncio da separação surge em vésperas da publicação do livro ‘Les Coulisses d’une Défaite’ (‘Os Bastidores de uma Derrota’), anunciada para quarta-feira, e no qual se revelam pormenores do afastamento entre os dois socialistas, que se agravou durante a campanha presidencial, com o caso Bayrou. Ainda na semana passada Ségolène defendeu uma aliança com o líder centrista e Hollande desmentiu, de forma jocosa, tal hipótese.
CHIRAC PERDE IMUNIDADE
A partir de hoje o ex-presidente Jacques Chirac, de 74 anos, volta a poder ser alvo da Justiça, depois de ter expirado a imunidade de que gozou durante os 12 anos em que assumiu as funções de chefe de Estado. Deste modo, fica em aberto a possibilidade de Chirac ser citado em processos judiciais que refiram o seu nome.
PORTUGUESAS DERROTADAS
As luso-descendentes estiveram em baixa na 2.ª volta das legislativas. Anne-Marie Mouchet teve 19 746 votos (41,11%) e foi derrotada no Gers pelo socialista Philippe Martin.
Cristela de Oliveira perdeu por 39,88% contra os 60,12% do socialista Manuel Valls, em Corbeil-Essonnes.
SAIBA MAIS
- 2 meses foi a duração do ciclo eleitoral ontem encerrado com a segunda volta das legislativas e iniciado com a primeira volta das presidenciais, a 22 de Abril (a segunda volta foi no dia 6 de Maio).
- 5 anos é o período para o qual foram eleitos os 577 membros da Assembleia Nacional, através de um escrutínio uninominal e maioritário por círculo eleitoral próprio.
PARLAMENTO
É constituído por duas câmaras: a Assembleia Nacional e o Senado. Este é composto por 321 membros, 304 dos quais eleitos para mandatos de seis anos por um colégio eleitoral.
VOTAÇÃO
Uma sessão extraordinária do Parlamento será convocada já no final deste mês para votar os primeiros projectos lei do governo de Sarkozy.
JORNADA ELEITORAL
As eleições em França decorrem sempre ao domingo. As assembleias de voto abrem às 08h00 e encerram às 18h00.
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