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Diretora do FMI diz que choque energético provocado pelo bloqueio em Ormuz é global e "nenhum país evitará impacto"

"O petróleo é um produto global negociado globalmente", afirmou a diretora, durante a Milken Global Conference.

05 de maio de 2026 às 00:47

A diretora do Fundo Monetário Internacional, Kristalina Georgieva, avisou que o choque energético provocado pelo bloqueio no Estreito de Ormuz é global e "nenhum país evitará o impacto dos preços altos", durante um painel sobre a economia mundial numa conferência em Los Angeles.

"O petróleo é um produto global negociado globalmente", afirmou a diretora, durante a Milken Global Conference. "Vejo que parte da audiência envolvida em políticas públicas está a ignorar isto", apontou.

Kristalina Georgieva salientou que o impacto da crise nos preços do petróleo tem sido menor que o expectável, mas que o cenário mais benigno já está afastado. "Um impacto moderado e uma ligeira desaceleração do crescimento já não é o cenário de referência", alertou.

O FMI calcula que o cenário será mais adverso, com aumento da inflação, embora as condições financeiras ainda não estejam apertar. Mas se isto continuar em 2027 e o barril de petróleo se situar em torno dos 120 dólares, "então podemos esperar um resultado muito pior".

Os preços dos alimentos vão subir, porque os fertilizantes serão mais caros, a produção de chips será afetada e a situação vai tornar-se mais séria.

"Este é um impacto nos preços de evolução lenta que precisamos de ter em conta", salientou, lamentando que o choque energético não esteja a trazer à tona o melhor dos líderes políticos.

"Os decisores ainda agem como se isto fosse durar apenas alguns meses e estão a pôr em prática medidas para reduzir o impacto nos consumidores e empresas", apontou. "Toda a gente aqui sabe que, se a oferta encolhe, a procura também tem de diminuir".

Foi isso também que prognosticou o CEO da petrolífera Chevron, Mike Wirth, que participou no mesmo painel. "Ainda não assistimos a uma grande disrupção na procura", notou. "A procura precisa de se ajustar à restrição da oferta e a atividade vai ter de diminuir", avisou. "Este não é um bom cenário. As economias emergentes terão a menor capacidade de absorver o choque".

Wirth disse que, em breve, começaremos a ver escassez física de petróleo na Europa, seguindo o que já está a acontecer na Ásia, e que limitar o aumento dos preços não é uma boa política.

"Potencialmente veremos um efeito tão fundamental quanto o choque energético dos anos 70", previu Wirth.

O único ponto positivo, na opinião de Kristalina Georgieva, é que os choques energéticos do passado trouxeram maior eficiência energética e é isso que espera que aconteça agora. A diretora deu o exemplo de Espanha, que aumentou a aposta em energias renováveis e deverá ter maiores condições de resistir.

A diretora do FMI também falou do outro choque que está a acontecer neste momento, o da ascensão da Inteligência Artificial. "Quando se olha para o choque energético e a IA juntos, os países com fontes de energia mais fiáveis e de baixo custo são os que irão beneficiar mais da IA", disse.

Georgieva também considerou que a revolução da tecnologia é inevitável. Será "IA ou morte", afirmou.

A Milken Global Conference decorre até 06 de maio em Beverly Hills, Los Angeles, com chefes de estado, representantes diplomáticos, empresários e investidores de todo o mundo.

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