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Correio da Manhã

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DITADOR COMPROU FRANCESES

Saddam Hussein era um ditador que nos últimos anos se tornou paranóico com a segurança. Vivia num 'bunker', não usava o telefone e tinha um laboratório para examinar a sua comida. Mas soube angariar uma fortuna de milhares de milhões de euros e usou o petróleo do Iraque para subornar políticos e empresários de todo o mundo para tentar pôr fim às sanções da ONU.
8 de Outubro de 2004 às 00:00
Saddam, detido há quase um ano, está à beira de ser julgado por crimes de guerra
Saddam, detido há quase um ano, está à beira de ser julgado por crimes de guerra FOTO: Karen Ballard/Reuters
Personalidades francesas, como o ex-ministro do Interior, Charles Pasqua, ou russas, como o radical Vladimir Jirinovsky, estão entre os nomes de presumíveis 'subornados' referidos por um relatório oficial dos EUA agora publicado. Estas alegações não foram verificadas, como sublinha o próprio autor do documento, o antigo chefe dos inspectores de armas dos EUA Charles Duelfer, mas a divulgação dos nomes já causou polémica.
O Ministério dos Negócios Estrangeiros da França salientou ontem que é fundamental descobrir primeiro se há alguma verdade por detrás das acusações, já desmentidas por Pasqua e pelo empresário Patrick Maugein.
Benon Sevan, antigo chefe do programa humanitário de troca de petróleo por alimentos, está também entre os alvos de subornos, que incluem ainda a ex-presidente indonésia, Megawati Sukarnoputri e a Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP).
Duelfer esclarece que o ditador iraquiano tinha uma rede de negócios proibidos com figuras e empresas de 40 países. Mas aparentemente concentrava os seus esforços de suborno na França, Rússia e China, países com assento permanente no Conselho de Segurança da ONU e, por isso, com direito de veto.
O relatório causa igualmente polémica por provar, de uma vez por todas, que Saddam não tinha armas de destruição maciça na altura em que a guerra foi lançada, deixando o presidente George W. Bush numa posição cada vez mais incómoda.
SADR QUER DEPOR AS ARMAS
O principal assessor do radical xiita Moqtada al-Sadr anunciou, entretanto, a intenção de as milícias al-Mahdi entregarem as armas, de modo a pôr fim à violência em Sadr City, bairro xiita de Bagdad, e outros pontos do país. Mas o acordo, resultado de dias de negociações com o governo interino, só entrará em vigor se houver garantias de que os guerrilheiros xiitas não serão processados. Num gesto paralelo, eventualmente coordenado, foram libertados 240 presos de Abu Ghraib, entre eles um apoiante de Sadr.
Naquele que é um dos últimos incidentes da violência civil no Iraque, pelo menos dois disparos de 'rocket' atingiram ontem o Hotel Sheraton de Bagdad, danificando o edifício e causando um vasto incêndio.
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